Título: Lula cobra disciplina e pede volta do clima de normalidade
Autor: Scinocca, Ana Paula
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/04/2007, Nacional, p. A5

Pelo terceiro dia consecutivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ontem disciplina militar e respeito às instituições. Ao comentar a crise do setor aéreo e o motim dos controladores de vôo, disse em entrevista no início da tarde no Itamaraty que é preciso ¿reconstruir o clima de normalidade¿. ¿As pessoas precisam aprender que, num regime democrático, o respeito às instituições e aos princípios hierárquicos são fundamentais para o sucesso da própria democracia¿, afirmou.

Desde que suspendeu a ordem de prisão contra controladores de vôo, durante a greve no final de semana, Lula tenta desfazer o mal-estar em setores das Forças Armadas, que o criticaram por negociar com ¿insubordinados¿. ¿Não existe nenhum movimento, por mais justo que seja, que justifique terceiros pagarem a conta¿, afirmou, referindo-se aos passageiros. ¿Eu disse isso quando tinha greve de ônibus, de professores e de médicos e digo quando tem greve de controladores.¿

Lula se definiu como o presidente mais flexível para negociar da história do Brasil. Na entrevista, logo após almoço com o presidente do Equador, Rafael Correa, ele tentou demonstrar que mantém uma postura de sindicalista que prega o diálogo e o cumprimento de acordos. ¿Não precisamos prender as pessoas, o que precisamos é dialogar e isso foi feito¿, disse.

Lula insistiu que não rompeu acordo de não punir. Mas observou que não vai se intrometer no andamento de inquéritos policiais militares e disse que o Comando da Aeronáutica, agora, terá responsabilidade de evitar novos ¿sofrimentos¿ nos aeroportos. ¿O comandante (Juniti) Saito sabe dos problemas que existem mais do que ninguém, ele sabe encontrar soluções.¿

Lula relatou que estava a caminho de Washington quando recebeu a notícia da greve. Ele informou que designou Paulo Bernardo (Planejamento) para dizer: ¿É preciso voltar a trabalhar, estamos dispostos a negociar.¿ O presidente evitou avaliar o papel do ex-comandante da Aeronáutica Luiz Carlos Bueno no caso. Em conversas reservadas, porém, Lula tem criticado Bueno, que não teria informado sobre as deficiências no controle de vôos.