Título: BC já comprou US$ 21,8 bilhões
Autor: Oliveira, Ribamar
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/04/2007, Economia, p. B4

As compras de dólares do Banco Central atingiram US$ 7,064 bilhões em março e somaram no primeiro trimestre US$ 21,842 bilhões. O resultado já corresponde a cerca de 64% dos US$ 34,3 bilhões comprados pelo BC em 2006. Mesmo assim, o real valorizou-se 3,51% frente ao dólar, de janeiro a março.

Para a economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, sem a atuação agressiva do BC no mercado, a taxa de câmbio já estaria abaixo dos R$ 2,00. ¿O que estamos vendo é o BC atuando para suavizar um movimento de valorização do câmbio que poderia ser mais brusco¿, disse ela.

Pelas contas da economista, o BC comprou todos os US$ 17,394 bilhões que entraram no País no primeiro trimestre pelos segmentos comercial e financeiro mais parte dos dólares que estavam com os bancos.

A principal fonte de valorização do real, de acordo com a economista, é o fluxo comercial. ¿A entrada de dólares pelo segmento financeiro tem desempenhado papel secundário.¿ É pelo segmento financeiro que entram os investidores interessados em lucrar com os juros altos do Brasil. ¿Para nós, acelerar a queda dos juros não resolveria o problema do câmbio¿, disse Alessandra, ao comentar as declarações do ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio César Gomes de Almeida. Para o ex-secretário, a valorização do câmbio se deve aos juros elevados.

Com opinião oposta, o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, acredita que uma redução mais rápida dos juros ajudaria a conter a alta do real.

A economista da Tendências, por sua vez, destacou que no primeiro trimestre houve um forte movimento de antecipação das exportações. ¿Os exportadores acreditaram na manutenção da tendência de baixa do câmbio, o que provocou novas ondas de baixa.¿ Ela acredita que esse movimento deverá começar a se reverter neste ou no próximo mês.

O problema é que o fluxo de recursos pelo segmento financeiro poderá crescer neste segundo trimestre e pesar mais no processo da valorização do real. Em fevereiro, entraram US$ 2,278 bilhões líquidos por esse segmento, que normalmente registra déficit. Em março, foram US$ 772 milhões.

Uma das razões do aumento desse fluxo é o lançamento de papéis no exterior. ¿O Tesouro Nacional não tem perdido as boas oportunidades para fazer emissões de títulos lá fora. A questão é que, após essas emissões, o setor privado também é estimulado a captar recursos nos mercados internacionais¿, explicou.