Título: Diplomata do Irã acusa CIA de tortura
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Fonte: O Estado de São Paulo, 08/04/2007, Internacional, p. A14

Um diplomata iraniano que foi libertado dois meses após ter sido seqüestrado no Iraque declarou que foi torturado por agentes da CIA (Agência Central de Inteligência) durante seu cativeiro, informou ontem a TV estatal iraniana. Os EUA reiteraram ontem não ter qualquer envolvimento no seqüestro.

Jalal Sharafi foi solto um dia antes de o governo do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, libertar 15 marinheiros e fuzileiros navais britânicos que haviam sido capturados no Golfo Pérsico, segundo Teerã, após invadirem o território do Irã. Na sexta-feira, os marinheiros negaram ter invadido as águas iranianas. Eles alegaram que escreveram cartas e gravaram declarações à TV iraniana admitindo a invasão, pois sofreram constantes pressões psicológicas.

Sharafi, que retornou ao Irã na quarta-feira, disse que agentes americanos o questionaram sobre as relações do Irã com o Iraque e a assistência iraniana a grupos iraquianos, e o torturaram durante o interrogatório, de acordo com a TV.

O diplomata foi seqüestrado em 4 de fevereiro por homens uniformizados em Karrada, um bairro de Bagdá controlado por xiitas, dias após o presidente George W. Bush acusar o Irã de dar apoio a milícias iraquianas.

¿Assim que eles ouviram minha resposta de que o Irã tem somente relações oficiais com o governo e funcionários iraquianos, eles intensificaram as torturas e usaram diferentes métodos por dias e noites¿, disse o diplomata. De acordo com o apresentador da TV iraniana, Sharafi, segundo secretário na Embaixada do Irã em Bagdá, disse que foi seqüestrado por agentes de uma organização iraquiana que atua sob a supervisão da CIA. A TV disse que os sinais de tortura ainda são visíveis e Sharafi está sendo tratado em um hospital.

Ele disse ter sido abordado enquanto fazia compras em uma rua de Bagdá. Segundo Sharafi, os agentes lhe mostraram identificação do Ministério de Defesa iraquiano e usavam veículos dos EUA. O diplomata disse que foi levado a uma base perto do aeroporto de Bagdá e interrogado em árabe e inglês, mas não deu detalhes sobre seus captores ou suas nacionalidades. ¿Mais tarde, eles me libertaram sob pressão de funcionários do governo iraquiano e me deixaram perto do aeroporto¿, disse Sharafi, segundo a TV estatal.

O Irã pediu à Grã-Bretanha que responda com um gesto de boa vontade à libertação dos 15 marinheiros. O embaixador do Irã em Londres, Rasoul Movahedian, disse em entrevista publicada ontem pelo Financial Times que a captura dos marinheiros não estava relacionada ao seqüestro de Sharafi ou dos cinco iranianos presos em janeiro pelos EUA no Curdistão iraquiano, mas disse que Londres poderia usar sua influência para obter a libertação dos detidos.

Ainda ontem, o Vaticano informou que o papa enviou uma carta a Ahmadinejad pedindo que libertasse os marinheiros antes da Semana Santa. Não se sabe se o apelo foi um fator decisivo para a libertação.