Título: Geddel tira estatal dos petistas
Autor: Samarco, Christiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/04/2007, Nacional, p. A4

Bastaram 18 dias à frente do Ministério da Integração Nacional e duas horas de reunião de trabalho com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) alcançasse seu objetivo mais urgente: tomar do PT o controle da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), que ele considera o ¿braço operacional¿ mais importante de seu ministério.

A autorização para tirar do PT o comando da Codevasf foi dada ontem a Geddel pelo próprio presidente, durante a reunião da Câmara de Gestão encarregada de cuidar do Rio São Francisco. O encontro mobilizou os ministros do Meio Ambiente, Marina Silva; da Casa Civil, Dilma Rousseff; da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci; e de Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia.

Segundo um técnico da Agência Nacional de Águas (ANA), que também participou da reunião, o segredo do sucesso de Geddel na negociação do comando da Codesvasf foi a criatividade para inventar um projeto batizado de ¿Água para Todos¿, que teria encantado o presidente Lula.

Desafiado a vencer as resistências de seu próprio Estado - a Bahia - ao projeto de transposição do São Francisco, Geddel apresentou a idéia de levar água a 1.800 vilarejos localizados a cerca de dois ou três quilômetros do rio, ao longo dos 5.000 quilômetros das margens esquerda e direita.

¿Toque esse projeto. Isto me sensibiliza muito¿, disse Lula a Geddel, segundo um dos presentes. ¿Tiro dinheiro, nem que seja aqui da Presidência.¿ Foi a senha para que o ministro explicasse ao presidente que precisa dar a ele ¿respostas políticas e de gestão¿, mas que para isto precisava fazer ¿algumas substituições¿. Disse que faria as trocas com critério, respeitando competências técnicas. ¿Pois então faça¿, autorizou Lula.

Geddel já havia preparado o terreno político para fazer a troca sem atritos com o PT, que ocupa o posto. Tratou de procurar o governador petista do Piauí, Wellington Dias, para dizer que precisava da Codevasf, mas com um adendo: estava pronto a trazer seu indicado para perto dele, na Integração, e que se colocava à disposição para resolver qualquer interesse do Piauí no ministério.

Procurado pelo Estado, o ministro confirmou seu contato com Wellington Dias. ¿Sou grato à generosidade do governador e componho com ele, porque quero o governo satisfeito e o ministério atendendo os aliados, com uma gestão eficiente¿, afirmou Geddel. ¿Não busco hegemonia. É assim que se faz coalizão¿, acrescentou. Na avaliação do ministro, o que não é aceitável ¿é a esperteza¿.

Geddel ontem recusou-se a adiantar o nome de seu indicado para a Codevasf. Revelou apenas que será um quadro técnico, com grande experiência no setor. O ministro disse que sua intenção é ajudar Lula a compor o segundo escalão dentro da coalizão e que seu PMDB continuará conversando com outros governistas, ¿sem se acotovelar com os aliados e sem pressões ilegítimas¿ sobre o presidente. ¿Todas as conversas com o partido serão francas e leais¿, acrescentou.

Frase:

Luiz Inácio Lula da Silva Presidente

¿Toque este projeto. Isto me sensibiliza muito. Tiro dinheiro, nem que seja aqui da Presidência¿.