Título: PMDB cobra de Lula apoio para 2010
Autor: Domingos, João e Leal, Luciana Nunes
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/04/2007, Nacional, p. A10
Depois de ganhar cinco ministérios em troca do apoio ao governo e apresentar uma extensa lista de indicações para os melhores cargos do segundo escalão, o PMDB revelou mais uma reivindicação: na eleição presidencial de 2010, quer ter a cabeça da chapa da coalizão que apóia o presidente Lula. Coube ao presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), fazer o comunicado a Lula, em jantar na quarta-feira, na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
¿Sei que é um assunto delicado e talvez eu esteja inebriado pelo estado febril, por causa de uma gripe. Mas, no processo de coalizão, é natural que o PMDB tenha o candidato em 2010¿, afirmou Temer, quase sem voz. ¿Se isso ocorrer, faremos seu sucessor sem maiores dificuldades.¿
Pego de surpresa, Lula não fugiu ao tema, mas ficou em cima do muro. Fez rasgados elogios ao PMDB e deu a entender que, se a coalizão resistir até lá, o candidato pode sair de qualquer de seus 11 partidos. ¿Não posso ser candidato a um terceiro mandato. Nada impede um acordo da coalizão em 2010¿, disse para os 183 peemedebistas presentes.
¿O presidente disse que em 2010 a coligação deve ser mantida e, sendo o PMDB o maior dos partidos que a integram, poderia sim ter o candidato¿, disse o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, logo após o jantar.
Guardadas as ressalvas de que faltam mais de três anos para a eleição, o que mais anima o PMDB é o fato de que o PT não tem candidato natural à sucessão de Lula. Uma opção, Marta Suplicy, está num ministério de pouca visibilidade - o Turismo. ¿Se o Lula quisesse que Marta fosse candidata, poderia tê-la colocado na Educação ou na Saúde. Aí, sim, ela ia aparecer¿, afirmou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
¿Não vai ter nenhum problema para 2010, o PMDB é um grande partido e todos os cargos que ocupa são merecidos. Defendo que a coalizão tenha candidato, mas que seja do PT¿, reagiu o deputado Cândido Vaccarezza (SP).
Fora dos planos para 2010, o jantar do PMDB visava a mostrar unidade para objetivo mais urgente: os cargos no segundo escalão, especialmente em estatais como Petrobrás, Eletrobrás, Furnas e nos bancos públicos.
A divisão de cargos não foi tratada abertamente no jantar do PMDB. Os presentes preferiam dizer que estavam ali para celebrar a união do partido. Mas o tema não escapou das conversas. ¿O problema é que não tinha um bingo para sortear os cargos¿, brincou o governador do Paraná, Roberto Requião. Por via das dúvidas, foram abraçar Lula vários candidatos a cargos que o PMDB disputa principalmente com o PT.