Título: Ibope aponta que 62% dos eleitores confiam no presidente
Autor: Manzano Filho, Gabriel
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/04/2007, Nacional, p. A12

Uma nova pesquisa CNI/Ibope revelou ontem que 62% dos brasileiros confiam no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 34% não confiam. Esses números refletem uma queda de seis pontos no prestígio pessoal do presidente, em relação aos índices de dezembro de 2006 (68% a 28%), mas os responsáveis pela pesquisa advertem que, naquele mês, o resultado foi inflado pela euforia da vitória eleitoral de Lula. O de ontem marca um retorno a patamares de setembro anterior, quando a confiança chegava a 58%.

Esse desvio de dezembro se repete nos índices de avaliação do governo. A soma dos que o aprovam está hoje em 65%, contra 29% que o desaprovam. Em dezembro, a situação estava seis pontos melhor: 71% a 23%. A pesquisa faz outro tipo de avaliação do governo na qual, em vez de perguntar se o eleitor aprova ou desaprova, apresenta cinco alternativas. Nesta segunda tabela, a soma de ¿ótimo¿ e ¿bom¿ chega a 49% e a de ¿ruim¿ e ¿péssimo¿ fica em 16%, enquanto 33% votaram ¿regular¿.

¿Quando se analisa a série histórica da pesquisa, percebe-se que os números de dezembro eram atípicos, aumentados por causa da euforia pós-eleitoral¿, adverte a diretora do Ibope Marcia Cavallari. ¿Os indicadores estavam, em dezembro, fora de padrão. Mas ainda assim os índices de aprovação continuam elevados¿, acrescenta o diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria, Marco Antonio Guarita. Naquele mês o clima era melhor por causa do pagamento do 13º salário e pela expectativa de maior crescimento da economia. ¿Assim a pesquisa concluída agora pode refletir uma acomodação das expectativas e não configura uma tendência de queda na popularidade do presidente¿, dizem os autores.

Os números de ontem são bastante próximos - apesar das diferenças de metodologia - dos anunciados há três dias pela CNT/Sensus. Em vez dos 62% do Ibope, o Sensus apurou 63,7% de aprovação a Lula. A avaliação do governo é praticamente a mesma: 49,5% no Sensus, 49% de ¿ótimo¿ e ¿bom¿ no Ibope. Marcia Cavallari observa, no entanto, que os números do Sensus ¿passam a sensação de que a situação do governo e do presidente estão melhorando, enquanto a série histórica do Ibope aponta mais para a estabilidade¿.

A nota média dada ao governo caiu de 7 pontos, na pesquisa anterior, para 6,7 (numa escala de 0 a 10).

Percepção na mídia: A pesquisa informa, ainda, que 23% dos entrevistados tiveram uma percepção mais favorável do noticiário sobre o governo. Em setembro de 2006, esse universo estava em 31%. Consideraram o noticiário neutro 40% dos entrevistados. Tiveram percepção desfavorável ao governo 20% dos entrevistados.

Entre as principais notícias lembradas pelos entrevistados, a crise aérea ficou em primeiro lugar, com 20%. O encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, apareceu em segundo lugar com 12% dos entrevistados, seguido da reforma ministerial com 7%. O reajuste do salário mínimo foi mencionado por 3% e a crise da segurança pública por outros 3%. O andamento das medidas do PAC no Congresso foi citado por apenas 2% dos entrevistados - o mesmo porcentual de pessoas que disseram que a principal notícia foi o presidente Lula jogando futebol no Maracanã.

O Ibope ouviu 2.002 pessoas em 140 cidades brasileiras e a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos.