Título: 'Há aprendizado e percepção de erros'
Autor: Moraes, Marcelo de
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/04/2007, Nacional, p. A5
Na opinião do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o País tem hoje mais condições de se desenvolver porque, além de possuir precondições para isso, tanto a equipe de governo como o próprio Lula estão mais bem preparados. ¿Esse amadurecimento significa percepção de erros que houve. Gestão é um deles.¿
Qual avaliação o senhor faz dos primeiros cem dias do segundo mandato do presidente Lula?
Acho positiva. Primeiro pela decisão, digamos pública, do presidente de provocar crescimento maior do País. O que mais me anima é o Brasil gerar mais emprego, distribuir mais renda, enfim, ter mais dinheiro até para atender às áreas sociais. Segundo, penso que toda vez que se renova um mandato e começa uma nova gestão também se renovam as esperanças. Há ambiente melhor inclusive no Parlamento, apesar das disputas. E o governo comemora intensamente o fato de que a mudança de metodologia do IBGE mostrou que já houve crescimento maior da economia.
Esses cem dias de segundo mandato são melhores que os primeiros cem dias do primeiro mandato?
Seguramente.
Mas muitas críticas são feitas às falhas gerenciais do governo. O senhor acha que a gestão de governo poderá ser melhor?
Creio que sim. Primeiro porque há um aprendizado da equipe que continua no governo. Em segundo, esse amadurecimento significa percepção de erros que houve. Gestão é um deles. E aí volta para as precondições de um desenvolvimento maior, com risco Brasil menor, inflação bem menor, reservas maiores, balança comercial positiva. Tudo isso cria condições de se avançar. Acho que o presidente, sob determinados aspectos, atua com mais convicção, mesmo naquilo que contraria às vezes o senso comum.
Por exemplo?
Vou dar como exemplo a questão da Previdência. Porque no primeiro mandato ele não fazia o discurso de que a Previdência não tinha déficit. Esse é um discurso nosso do PT. E nós tivemos muita dificuldade de apoiar a reforma da Previdência.
A equipe ministerial pode melhorar a gestão?
Penso que, do ponto de vista da gestão, acho que há uma equipe que está mais entrosada. Em relação a alguns novos ministros vamos ter que aguardar mais para saber do desempenho.
Mas não há como falar dos cem dias sem citar o caos aéreo e as dificuldades para resolvê-lo.
O caos aéreo atrapalhou bastante. E, apesar de todo o esforço que tenha sido feito em seis meses, isso resultou numa situação explosiva. Atrapalhou e acho que o Brasil inteiro torce e trabalha para resolver.