Título: 'É governo de muita conversa e pouca ação'
Autor: Moraes, Marcelo de
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/04/2007, Nacional, p. A5
O apagão aéreo é o exemplo usado pelo líder da minoria na Câmara, Júlio Redecker (PSDB-RS), para criticar a ¿falta de capacidade gerencial¿ do presidente Lula. ¿É muita conversa e pouca ação.¿ Para ele, o governo é ¿pequeno na maneira de pensar o Brasil¿, o que não ajuda no crescimento.
O presidente Lula completa agora cem dias do seu segundo mandato. Qual é sua avaliação sobre o desempenho do governo no período?
É muita conversa e pouca ação. O governo do PT do presidente Lula é assembleísta. Tem pouca atitude. E isso se nota claramente nos problemas não resolvidos, como é o caso do apagão aéreo. Uma ação administrativa forte, que redistribuísse o tráfego aéreo, que punisse exemplarmente os faltosos, os amotinados, e que desse a garantia à população brasileira de que há capacidade de restituição da credibilidade do setor aéreo, do controle do espaço aéreo, seria uma atitude em que o presidente demonstraria claramente que ele tem capacidade gerencial.
O senhor acha que o presidente não tem capacidade gerencial?
Até o momento, o presidente não demonstrou. Até pelo crescimento pífio do Brasil, que é o lanterninha na América do Sul. É o país que menos cresceu. Isso traz vergonha a todos os brasileiros e é por isso que a oposição quer votar o PAC o mais rapidamente possível, para que o governo possa ter instrumentos necessários para fazer com que o Brasil pelo menos equilibre o crescimento com os emergentes.
A escolha da equipe ministerial não pode ajudar o presidente a melhorar sua capacidade de gestão?
O presidente Lula não é um executivo. Ele é um grande articulador político. Entre você conversar e organizar as suas idéias e colocá-las em prática há uma grande distância. O presidente Lula tem também dificuldades na escolha dos seus assessores. Ele não consulta nem o seu currículo e muito menos a folha corrida. E isso traz prejuízos ao governo.
Que tipo de prejuízos?
O governo tem sido muito, vamos dizer assim, pequeno na maneira de pensar o Brasil. Um país com o tamanho do Brasil, com as condições da economia mundial, deveria puxar o crescimento dos países em desenvolvimento. E não é o que acontece. Temos situação econômica extremamente favorável. Vivemos um período excepcional na economia mundial. E esse reflexo na geração de emprego, renda, não acontece no Brasil. Até porque há políticas equivocadas. A política econômica, na questão dos juros e do câmbio desfavorável, traz prejuízo à competitividade do Brasil tanto na prateleira do consumidor estrangeiro quanto na do brasileiro. A indústria nacional acaba perdendo importantes pontos de venda porque o consumidor opta por produtos estrangeiros mais baratos.