Título: Demissões são parte de disputa entre titular e seu antecessor
Autor: Samarco, Christiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/04/2007, Nacional, p. A4
As quatro demissões da Infraero trouxeram à tona apenas mais um round da guerra travada nos bastidores da empresa entre o atual presidente, brigadeiro José Carlos Pereira, e seu antecessor, deputado Carlos Wilson (PT-PE). Informações de um funcionário da Infraero, confirmadas ao Estado por um interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dão conta de que o processo que motivou a demissão dos funcionários da estatal foi 'pinçado' em um lote de pelo menos uma centena de outros que ainda dependem de auditoria interna, embora envolvam cifras mais gordas.
Segundo informações obtidas pelo Estado, ao levar à pauta do Conselho de Administração da Infraero o caso do posto Shell na área do Aeroporto Juscelino Kubitschek em Brasília, o brigadeiro Pereira pôs na berlinda os dois funcionários que ele herdara de Wilson, já de olho na administração de uma eventual CPI do Apagão Aéreo. Assim, o brigadeiro desviaria o foco das apurações para a administração anterior e também mostraria que nada tem que ver com a herança recebida do ex-presidente da estatal.
Um parlamentar petista e o funcionário da Infraero que acompanham o desenrolar do caso, no entanto, duvidam que a estratégia seja bem-sucedida. Afinal, raciocinam, o conselho da Infraero, presidido pelo ministro da Defesa, Waldir Pires, ainda não examinou o item 2 da pauta de ontem, que trata da licitação para a compra de 79 ônibus para operação nos aeroportos, que já foi objeto de ação popular apresentada à Justiça Federal.
No caso do posto, assim como em outros processos que investigam denúncias de superfaturamento de obras em aeroportos do Brasil, Wilson terá de responder por atos seus e também de subordinados, como os recém-demitidos José Wellington Moura (da Diretoria Comercial) e Fernando Brendaglia (da Superintendência de Planejamento e Gestão).
Mas o atual presidente da Infraero também precisará explicar por que manteve os nomes indicados pelo antecessor. Terá ainda de responder sobre o pregão eletrônico da compra dos 79 ônibus, objeto de representação ao Tribunal de Contas da União (TCU). 'Ele tem de explicar ao TCU como a Infraero chegou aos valores superfaturados para fixar o teto da licitação que ficou em R$ 49,8 milhões, quando a única empresa fora do esquema ofertou os mesmos ônibus a R$ 28,9 milhões', diz um interlocutor presidencial.