Título: Com rombo de R$ 107 milhões, PT cobra filiados
Autor: Leal, Luciana Nunes
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/04/2007, Nacional, p. A8

Com dívida geral de R$ 107 milhões, somando as contas dos diretórios federal, estaduais e municipais, o PT está atrás de 4 mil filiados inadimplentes, na tentativa de diminuir o rombo financeiro até as eleições municipais do ano que vem. Os devedores estão sendo avisados por carta que, se não colaborarem, terão cassado o direito de votar e receber votos no 3º Congresso Nacional do PT, em agosto, quando os petistas definirão rumos teóricos e discutirão a imagem do partido e as futuras eleições.

Após reunião, ontem, com os tesoureiros dos diretórios estaduais, o secretário de Finanças da legenda, Paulo Ferreira, fez, pela primeira vez, os cálculos da dívida total: o Diretório Nacional deve R$ 50 milhões, os estaduais somam R$ 17 milhões e os municipais das capitais chegam a R$ 40 milhões.

Os 4 mil inadimplentes já identificados são funcionários do Executivo federal que deveriam fazer contribuições mensais ao Diretório Nacional, na proporção de 2% a 10% dos vencimentos. Segundo Ferreira, desde janeiro de 2003, quando começou o governo Lula, esses devedores deixaram de contribuir com R$ 30 milhões. 'Nas estatais, é um escândalo. Lá estão os maiores salários e é onde temos os menores índices de adesão.'

O secretário de Finanças orientou os tesoureiros estaduais e municipais a buscarem os devedores que são funcionários de governos, assembléias legislativas, câmaras de vereadores e prefeituras, no esforço de reduzir também as dívidas locais.

Depois da caça aos devedores do Executivo, o PT irá atrás de cerca de 900 assessores de deputados federais e senadores que, embora filiados, não contribuem.

O presidente Lula dá ao PT R$ 1.366 por mês, segundo Ferreira, desde o começo do primeiro mandato. O Diretório Nacional recebe cerca de R$ 2 milhões mensais, somando repasse do Fundo Partidário e contribuições de petistas, mas são insuficientes para todos os gastos: custeio, distribuição de verba para diretórios estaduais e pagamento a credores.

O tesoureiro diz ter o aval do Diretório Nacional para fazer as cobranças e aplicar punições. 'Não podemos chegar a 2008 devendo esse monte de dinheiro. Corremos o risco de um juiz até bloquear uma conta aberta pelo partido para a campanha municipal. O PT precisa de uma forma permanente de arrecadação partidária', disse.

ORIGEM

O dirigente lembrou que as eleições de 2004 foram a origem das dívidas. 'Depois da vitória presidencial (de 2002), o PT viveu uma euforia e fez gastos inalcançáveis.' Também estão incluídos os R$ 10,7 milhões deixados pela campanha da reeleição do presidente Lula.

A Secretaria de Finanças do PT não reconhece, porém, os R$ 100 milhões cobrados na Justiça pelo empresário Marcos Valério. Durante investigações do mensalão, descobriu-se que o publicitário operou, com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, esquema de transferência de dinheiro de caixa 2 para políticos aliados.