Título: Para Lula, economia brasileira vive 'combinação perfeita'
Autor: Oliveira, Clarissa
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/04/2007, Economia, p. B3
Na véspera de completar 100 dias do início de seu segundo mandato e no embalo da divulgação de indicadores positivos na economia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o Brasil deixou de ser um país que 'não deu certo' para tornar-se um membro competitivo da economia globalizada. Apesar de reconhecer a necessidade de ainda realizar ajustes - como manter a redução da taxa de juros e diminuir a carga tributária -, Lula afirmou que vê o País em uma 'situação altamente privilegiada' e chegou a falar em uma 'combinação perfeita na economia'.
'Hoje nós, todos nós, conseguimos uma harmonia, senão perfeita ainda, a melhor que eu vejo no Brasil desde que me conheço por gente. A economia cresce, as perspectivas são extraordinárias, as empresas crescem', disse Lula, que participou ontem à noite da cerimônia de abertura da Feira Internacional de Autopeças Equipamentos e Serviços - Automec 2007, na capital paulista.
Sem poupar elogios ao setor automotivo, o presidente comemorou o fato de a indústria se preparar para produzir algo em torno de 2,8 milhões de automóveis em 2007, o que, de acordo com ele, ajuda a demonstrar a força da economia nacional. Outro indicador destacado por ele foi risco Brasil.
Lula afirmou que 'pela primeira vez' há uma combinação entre crescimento das exportações e avanço da demanda interno. Ele disse ainda que o Brasil agiu muitas vezes como uma nação subordinada às grandes economias internacionais, mas começa a reivindicar seu espaço na economia mundial. 'O Brasil era muito acanhado, o Brasil parece que tinha vergonha de assumir o papel que lhe era devido na história', disse.
Ele citou como exemplo desse avanço o desenvolvimento de tecnologias nacionais como o motor biocombustível, que, segundo ele, ganhará o mundo como uma alternativa para reduzir o aquecimento global.
Lula prometeu dar continuidade a uma política econômica que privilegie o crescimento, mas destacou que não deixará que a inflação retorne. 'Eu quero dizer para vocês que a inflação não volta neste País.'
Lula disse que chega a 100 dias de seu segundo mandato com a convicção de que o Brasil caminha da forma como ele imagina que 'todo mundo gostaria'. Sobre a evolução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente reconheceu a necessidade de realizar eventuais ajustes até o meio do ano, para que, após isso, as obras de infra-estrutura possam caminhar sem obstáculos.
Sobre a demora na aplicação das medidas, Lula comparou o PAC ao nascimento de um filho. 'Por mais que a gente queira, a gente espera nove meses para ouvir o primeiro choro da criança.'