Título: Ministro vê 'retórica vazia' dos Sem-terra
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/04/2007, Nacional, p. A8

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, voltou a criticar ontem as ações do MST. Durante entrevista à Agência Brasil, ele afirmou que a sociedade está ficando ¿cansada da retórica vazia¿ do movimento. Um pouco antes, ao falar para um conjunto de emissoras integrantes da Rede Nacional de Rádio, ele já havia dito que, ¿sempre que se substitui a agenda da reforma agrária pela agenda da violência e do conflito, a reforma agrária é quem perde¿.

Cassel irritou-se nos últimos dias com as acusações feitas por líderes do MST, segundo os quais pouco ou nada foi feito pela reforma agrária no governo Lula. ¿Não só eu, mas toda a sociedade brasileira está ficando um pouco cansada dessa retórica vazia, que sempre vira as costas para a realidade, para justificar seus atos¿, rebateu.

Segundo o ministro, ¿todo mundo sabe, isso está em todos os documentos, em todos os balanços, que o governo federal, nos últimos quatro anos, investiu como nunca tanto em reforma agrária quanto em agricultura familiar. Isso é um fato da vida, as pessoas não podem dizer que não aconteceu.¿

Para Cassel, é compreensível que o MST cobre mais assentamentos do governo. Mas isso não significa dizer que nada foi feito: ¿É retórica e retórica vazia para justificar ações políticas que são, às vezes, inexplicáveis.¿

Ao ignorar os investimentos, o MST torna impossível o diálogo franco, segundo o ministro. Nas entrevistas de ontem, ele insistiu que foram investidos R$ 4 bilhões em compra de terras para a reforma e que a assistência técnica rural hoje atinge 80% dos assentamentos.

¿Isso é nada ou isso é alguma coisa importante? Senão a gente não consegue conversar com seriedade. Esse me parece o grande problema¿, continuou. ¿É a impossibilidade de um diálogo franco.¿

O ministro também criticou as teses do MST de que o agronegócio, a reforma agrária e a agricultura familiar não podem conviver: ¿Talvez um dos méritos do primeiro governo Lula foi experimentar a possibilidade de dois padrões de produção no campo conviverem ao mesmo tempo. O governo investiu e investiu muito no agronegócio, a chamada agricultura patronal, que respondeu com muita qualidade, gerou excedente de produção, gerou reservas, foi muito importante. O governo investiu muito na agricultura familiar, que respondeu também com enorme qualidade, enorme vitalidade.¿

Na quarta-feira, em São Paulo, um dos principais líderes nacionais do MST, João Paulo Rodrigues, acusou Cassel de ter se transformado em porta-voz da tecnocracia federal, em vez de defensor da reforma agrária. Na opinião dele, o ministro deveria ser demitido.