Título: Invasão do MST em área militar preocupa Exército
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/04/2007, Nacional, p. A8
O comandante do Exército, general Enzo Peri, admitiu ontem ter preocupação em relação a possíveis invasões do Movimento dos Sem-Terra (MST) em áreas militares. ¿Nós nos preocupamos com o patrimônio da União que está sob nossa responsabilidade¿, disse Peri ao Estado. ¿Temos preocupação em preservar nossas áreas de instrução.¿ O general considera ¿natural¿ que os militares estejam apreensivos, após as declarações vindas do movimento, e avisou: ¿Estamos atentos.¿
Uma das situações que o Exército teme é que o MST invada áreas de treinamento, já que muitas delas são verdadeiros ¿campos minados¿, por causa de artefatos bélicos não detonados durante os treinamentos.
Além disso, em grande parte das ações, o Movimento dos Sem-Terra usa mulheres e crianças como escudos. Os militares temem possíveis mortes, repetindo episódios que já aconteceram em outro campo de instrução, em Gericinó, no Rio.
OCUPAÇÃO
A dor de cabeça dos militares com o MST aumentou no último domingo, quando 500 famílias ligadas ao movimento invadiram uma área do Exército na cidade de Papanduva, em Santa Catarina, usada para manobras da Força terrestre. A propriedade acabou sendo desocupada na segunda-feira.
Apesar de abril já ser conhecido pela intensificação das ações de sem-terra em todo o País - o ¿abril vermelho¿ -, militares estão atentos após a mensagem divulgada pelos líderes do movimento de que o nível de tensão no campo vai subir no segundo mandato de Lula.
O ministro da Defesa, Waldir Pires, tentou esfriar a polêmica. Disse que o MST é um movimento social e é da sua natureza pressionar o governo. Ressalvou que, no caso da ocupação de área militar, os sem-terra voltaram atrás e deixaram o local.
¿Com o Exército eles recuaram¿, destacou o ministro. ¿Com isso, eles deram uma demonstração de que não querem passar dos limites.¿
Pires comentou que a invasão ¿foi uma pressão a mais¿ de um movimento social que luta pela aceleração reforma agrária. Ele considera ¿natural¿ que os movimentos sociais pressionem por todos os meios.
Segundo o ministro, o Exército, ao exigir a reintegração de posse, ¿fez o que tinha de ser feito¿. E acrescentou: ¿O Exército, na sua responsabilidade, cumpriu a tarefa de assegurar a posse da sua área.¿
Pires lembrou que a Força já dispunha, inclusive, de uma decisão judicial a seu favor, determinando a reintegração de posse, por causa de uma outra ação semelhante.