Título: Apostas na frente do tribunal
Autor: Godoy, Marcelo
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/04/2007, Metrópole, p. C4

Das janelas do Palácio da Justiça, onde ficam juízes e desembargadores, é possível visualizar os caça-níqueis funcionando a pleno vapor na região da Praça da Sé, no centro. Apesar de ilegais, as máquinas estão por toda a cidade, inclusive na Rua Anita Garibaldi, na frente do prédio do Poder Judiciário. As apostas também são feitas livremente em ruas de delegacias e perto da Secretaria da Segurança e do Ministério Público.

Às 15 horas, ontem, clientes jogavam nos caça-níqueis de uma lanchonete da Rua Anita Garibaldi. O estabelecimento fica a 20 metros do Corpo de Bombeiros, um prédio da Polícia Militar, e bem na frente do Palácio da Justiça. Das janelas do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo dava para ver um apostador sentado num banco, jogando tranqüilamente.

Não muito longe dali, já na Rua Benjamim Constant, havia fila de apostadores esperando a vez para jogar em uma das três máquinas instaladas numa lanchonete. O estabelecimento fica a 200 metros da Secretaria da Segurança Pública, na Rua Líbero Badaró, no centro. A região é cercada de policiais civis e militares 24 horas, todos os dias. No mesmo quarteirão, na Rua Senador Feijó, a jogatina rola solta. Três lanchonetes estavam lotadas de apostadores às 15h40. Os estabelecimentos estão situados a menos de 500 metros da sede do Ministério Público Estadual, na Rua Riachuelo.

Mais adiante, na Rua da Glória, fica o 1º Distrito Policial (Sé). A proximidade com a delegacia não assusta os apostadores do bairro da Liberdade. Na mesma rua do DP, algumas máquinas estavam cobertas em ao menos dois estabelecimentos. Mas numa lanchonete na altura do número 900 uma apostadora tentava a sorte num caça-níquel.

A presença de dezenas de PMs ontem à tarde na Rua General Osório, por causa de um homicídio, não afugentou nem os apostadores de Campos Elísios. Na Avenida Rio Branco, a uma quadra da 1ª Delegacia Seccional e do 3º Distrito Policial, os fregueses dos bares jogavam. A poucos metros dali, mas do outro lado da calçada, fica a sede do 13º Batalhão da PM.

O aposentado David de Moura, de 57 anos, morador do centro, joga duas vezes por semana num bar da Avenida Rio Branco. Num dia, ele apostou R$ 100 e voltou para casa sem dinheiro. Em outra ocasião, ganhou R$ 50. Para ele, o caça-níquel é terapia, embora defenda a proibição do jogo: ¿Sei quando parar. Mas a maioria não sabe.¿