Título: Incentivo ao esporte, a base 'moral'
Autor: Godoy, Marcelo
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/04/2007, Metrópole, p. C4
Além de todo o aparato legal de liminares e decisões judiciais, os bingos também mantêm suas portas abertas com base em um recurso ¿moral¿: o incentivo ao esporte. Os empresários se apóiam no argumento de que algumas federações não teriam condições de formar atletas e realizar competições sem a ajuda financeira vinda da cartelas de bingos. O iatista Robert Scheidt, octocampeão da classe laser, chegou a declarar que teria desistido do esporte, não fosse o patrocínio de um bingo.
Sem a cota recebida mensalmente do Bingo Golden, de Santa Catarina (que perdeu a liminar ontem que garantia o seu funcionamento), a Federação Paulista de Tiro Esportivo afirma que não conseguiria manter suas atividades. ¿Se fôssemos viver só da mensalidade dos filiados, não daria para honrar a folha de pagamentos¿, diz o presidente da federação, Sidney Peinado. ¿Recebemos algo em torno de R$ 100 mil por ano. Com isso, damos ajuda de custo para os atletas, pagamos viagens, compramos medalhas, confeccionamos uniformes... Sem o bingo, esportes amadores não sobreviveriam.¿
O advogado Marcílio Krieger, especialista em direito desportivo e um dos autores do Código de Justiça Desportiva, faz ressalvas à ajuda. ¿Infelizmente, não há notícia de nenhum clube profissional ou amador que tenha crescido ou tido qualquer tipo de evolução com a receita vinda dos bingos¿, diz . ¿Para piorar, como toda essa confusão sobre a legislação do setor, é impossível fiscalizar o faturamento dos bingos para saber se o repasse está sendo feito corretamente.¿