Título: Consumo em alta puxa preço na região
Autor: Lacerda, Ana Paula
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/04/2007, Economia, p. B3

O crescimento do consumo no Nordeste já tem impacto nos preços dos serviços livres nas capitais da região. Em Salvador (BA) e Recife (PE), por exemplo, os preços dos serviços livres subiram 51,03% e 64,72%, respectivamente, de 2004 a março deste ano, segundo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

No mesmo período, a inflação dos serviços livres em São Paulo e no Rio de Janeiro, as principais capitais do Sudeste, foi de 40,51% e 41,20%, respectivamente. Serviços livres são aqueles cujos reajustes seguem apenas das leis de mercado.

'O crescimento dos preços nas capitais nordestinas mais que proporcional em relação a São Paulo e Rio de Janeiro reflete o aumento do consumo na região', diz o coordenador do IPC-S de São Paulo, Paulo Picchetti, que fez o levantamento a pedido do Estado.

Picchetti destaca, por exemplo, o aumento de preços da alimentação fora do domicílio, dos gastos com a manutenção do lar e com o veículo próprio nas capitais nordestinas durante o período em níveis superiores ao registrado em São Paulo e Rio de Janeiro.

Em Recife, por exemplo, a alimentação fora de casa subiu 29,22% de 2004 a março deste ano, enquanto o acréscimo foi de 21,78% em São Paulo. Gastos com a manutenção do domicílio aumentaram 40,90% em Salvador. Já o acréscimo foi de 21,66% no Rio de Janeiro durante o mesmo período. Em Recife, por exemplo, as despesas com veículo próprio subiram 25,63% de 2004 a março de 2007, ao passo que, em São Paulo, o acréscimo nos preços foi de 18,62% no período.

De acordo com o estudo sobre o potencial de consumo dos municípios brasileiros feito pela consultoria Target, foram exatamente nesses três tipos de despesas que os consumidores nordestinos mais gastaram a sua renda desde 2002.

De 2002 e dezembro deste ano, os gastos com veículos entre as famílias do Nordeste crescem 330,5%, na manutenção do lar, o acréscimo foi de 300%; e as despesas com alimentação fora de casa aumentaram 108,3%.

Picchetti diz que o descompasso entre oferta e demanda, que se reflete na inflação local, explica a ida de muitas empresas para o Nordeste.