Título: PSDB acusa senadores do DEM de 'roubar' iniciativa
Autor: Gallucci, Mariângela
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/04/2007, Nacional, p. A6

A CPI do Apagão Aéreo pôs o PSDB e o DEM em pé de guerra. Enquanto os integrantes do DEM defendem a criação de uma comissão de inquérito sobre o assunto no Senado, os tucanos os acusam de tentar ¿roubar¿ a CPI, que nasceu por iniciativa do PSDB na Câmara.

O governo trabalha para que a CPI seja instalada apenas na Câmara, onde tem maioria folgada e, portanto, mais chance de controlar as investigações. O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ontem sinalizou que também passou a defender essa solução. ¿Não me cabe julgar a iniciativa dos senadores, mas vejo que há alguns deles, inclusive da oposição, dizendo que não deve haver essa iniciativa no Senado. Até porque os deputados de oposição da Câmara tiveram essa iniciativa primeiro¿, afirmou.

A divisão da oposição é mais evidente na Câmara e ontem cresceu depois que o líder do governo, deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), convidou líderes de DEM e PSDB para jantar. Em um primeiro momento, o líder tucano, Antonio Carlos Pannunzio (SP), confirmou presença; depois, desistiu de ir. ¿O jantar deu oportunidade para que fossem lançadas maldades contra o PSDB¿, explicou. ¿Estavam dizendo que o partido estaria acertando mais recursos para seus governadores no PAC em troca da CPI.¿

O líder da minoria, Júlio Redecker (PSDB-RS), também desistiu do jantar, mas o DEM pretendia comparecer. ¿Não temos motivos para não ir. Todos sabem que não vamos negociar CPI. Temos uma posição firme e a obrigação da oposição é conversar com o governo¿, disse o José Carlos Aleluia (BA), que iria ao jantar junto com Ronaldo Caiado (GO). O líder do DEM, Onyx Lorenzoni (RS), estava fora de Brasília ontem.

Pannunzio pediu aos tucanos que não apóiem a CPI no Senado. ¿Vejo muito interesse do DEM de tomar a CPI para eles¿, acusou Pannunzio. ¿Essa CPI nasceu do esforço e compreensão da bancada do PSDB na Câmara¿, afirmou. Apesar do apelo, o senador Papaleo Paes (PSDB-AP) fez questão de assinar ontem o requerimento. ¿Ninguém me pediu para não assinar nada¿, afirmou Paes. Até o início da noite, o pedido de CPI tinha 29 assinaturas de senadores - são necessárias 27.

O senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado, espera reunir mais seis assinaturas e apresentar o requerimento à Mesa amanhã. ¿A CPI no Senado tem mais força, mas não vou estabelecer um cabo-de-guerra¿, afirmou, ao insistir em que DEM e PSDB no Senado não têm divergências, diferentemente do que ocorre com as bancadas de deputados.

Na Câmara, os deputados Lorenzoni e Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM, já deixaram claro que são favoráveis à CPI no Senado. Não descartam, inclusive, a possibilidade de funcionamento de duas comissões sobre o mesmo tema.

Para Agripino Maia, o governo não mede esforços para tentar abafar a CPI do Apagão Aéreo e, por isso, desencadeou somente agora a Operação Furacão, da Polícia Federal, que levou para a prisão 25 pessoas. ¿Por que não fizeram isso há um mês, há dois meses? Para desviar a atenção e ocupar o noticiário com outras notícias¿, raciocina o líder do DEM.