Título: Fusão cria 5º maior banco do mundo
Autor: Caminoto, João
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/04/2007, Economia, p. B1

Os bancos Barclays, britânico, e ABN Amro, holandês, anunciaram ontem o maior negócio de todos os tempos no setor. As instituições fecharam um acordo que prevê a fusão de suas operações. Se a transação for aprovada pelos acionistas e pelas autoridades reguladoras, culminará com a venda do ABN para o Barclays por US$ 91 bilhões. No Brasil, o ABN Amro é dono do Banco Real.

O banco que surgirá após o negócio será o quinto maior do planeta, com cerca de 47 milhões de clientes e valor de mercado de R$ 350 bilhões. No plano anunciado ontem, o Barclays e o ABN Amro informaram que aproximadamente 10% da força de trabalho - ou 23.600 funcionários - será demitida.

Durante quase um mês, as duas instituições negociaram de forma exclusiva a fusão. Ao longo desse período, surgiram outros interessados pelas operações do banco holandês, entre eles o consórcio formado pelo espanhol Santander, pelo britânico Royal Bank of Scotland (RBS) e pelo belga Fortis.

O executivo-chefe do Barclays, John Varley, garantiu que não venderá o Banco Real. 'Certamente não vou vender. Adoro esse negócio', afirmou ele ao serviço noticioso Thomson Financial. O presidente do Banco Real, Fábio Barbosa, disse ao Estado que ' para os clientes e fornecedores do Banco Real, nada muda até a assembléia de acionistas, em agosto'. 'Depois', emendou, 'ainda não sabemos o que irá acontecer. Mas não vejo razão para que as operações brasileiras sejam vendidas, já que o País contribuiu, no ano passado, com 17% do resultado mundial.'

SEDE EM AMSTERDÃ

Segundo o plano anunciado, o nome do novo banco será apenas Barclays, sem referência ao grupo holandês, mas sua sede será localizada em Amsterdã. O Barclays usará 3,225 de suas ações ordinárias para comprar cada ação do ABN Amro. Isso representa 36,25 para cada ação do banco holandês, um pouco acima do que era esperado pelos analistas de mercado. A oferta representa um prêmio de 33% sobre o preço da ação do ABN Amro antes de as negociações de fusão terem sido anunciadas.

Se o negócio for concretizado, o Barclays controlará 52% do novo banco e o ABN Amro, 48%. A fusão prevê que John Varley assuma o mesmo cargo na nova instituição. Arthur Martinez, atual presidente do ABN Amro, manterá esse posto no novo banco. As duas instituições calculam que, juntas,serão capazes de economizar 3,5 bilhões até 2010. Cerca de 80% dessa redução de custos deve resultar de sinergias e, o restante, de melhoras no faturamento.