Título: 'Recorde de venda virá com atraso'
Autor: Silva, Cleide
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/04/2007, Economia, p. B16

O presidente da Fiat, Cledorvino Belini, disse que a indústria brasileira terá em 2007 seu melhor ano em vendas, com 2,2 milhões de unidades. Ele lembrou, porém, que o recorde 'está dez anos atrasado', pois a melhor marca foi em 1997, com 1,9 milhão de unidades. Foi uma resposta às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na sexta-feira voltou a dizer que a indústria automobilística reclama muito dos juros e do câmbio, mas bate recordes de produção e vendas.

O executivo reconheceu que as vendas aumentaram por causa da queda dos juros mais baixos e da facilidade de crédito, além da maior confiança do consumidor na economia, mas afirmou que as taxas precisam cair mais pois 'juro alto atrai capital volátil e faz com que o câmbio fique como está'.

Belini disse que, se o real continuar desvalorizado, a tendência será de as empresas aumentarem as importações. Ele espera que não seja necessário trazer carros prontos da China, conforme estuda a General Motors, para competir com importados da Ásia. 'Seria o fim da picada, pois aí o Brasil iria exportar montanhas de banana e importar carros.'

Ele prevê para 2008 vendas de 2,4 milhões a 2,5 milhões de veículos, mas acha que Brasil e Argentina, juntos, têm potencial para vender 4 milhões de carros em 2010, além de exportar 1 milhão, desde que sejam adotadas algumas medidas, como a reformulação na cobrança de impostos.

CARRO BARATO

Em seminário realizado ontem em São Paulo pela SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade), ele confirmou que a Fiat do Brasil trabalha no projeto de desenvolvimento de um carro de baixo custo para daqui a quatro ou cinco anos, mas avisa que o modelo dificilmente custará menos de US$ 10 mil.

O desafio, segundo Belini, é criar novos materiais, como plásticos e aços mais leves, mas não retirar conteúdo do veículo, ou seja, voltar a fazer 'carroças', conforme comparação feita pelo ex-presidente Collor de Mello antes da abertura do mercado brasileiro às importações.

Na opinião de Belini, não adianta o carro ser barato e 'fazer muito barulho ou não conseguir subir a serra'. O executivo afirmou que o Brasil, de fato, já tem carros de baixo custo em relação a outros mercados, mas a carga tributária encarece o preço final ao consumidor.

Toda a indústria automobilística mundial já trabalha no desenvolvimento de carros de baixo custo. Segundo o diretor da consultoria Roland Berger, Win van Acker, o segmento de carros compactos, incluindo os mais baratos, deve passar das 14 milhões de unidades anuais para 18 milhões em 2012.