Título: Le Pen pede abstenção em massa
Autor: Sant¿Anna, Lourival
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/05/2007, Internacional, p. A12
O ultradireitista Jean-Marie Le Pen pôs fim ontem ao suspense. Durante manifestação dos partidários da Frente Nacional pelo Dia do Trabalho, em frente à Ópera de Paris, Le Pen negou apoio tanto ao direitista Nicolas Sarkozy quanto à socialista Ségolène Royal, instruindo seus seguidores a se absterem no segundo turno da eleição presidencial, no domingo. ¿Convido os eleitores que confiaram em mim a não depositar seu voto por madame Royal nem por monsieur Sarkozy¿, anunciou Le Pen, aos cerca de 5 mil simpatizantes. ¿Convido-os a uma abstenção maciça, a se guardarem para as eleições legislativas de junho¿, completou o ultranacionalista, que ficou em quarto lugar no primeiro turno.
Numa disputa apertada, em que 4 a 6 pontos porcentuais separam Sarkozy de Ségolène, havia uma expectativa quanto a uma adesão de Le Pen. Apesar de estar mais próximo ideologicamente de Sarkozy, o apoio ao direitista não era garantido, em razão de mágoas guardadas da campanha - que, afinal, prevaleceram, mas não a ponto de Le Pen apoiar a socialista. ¿Seria ilusório e perigoso votar pela candidata socialista para nos vingarmos de Sarkozy por ter roubado nosso programa, mas também seria loucura dar nosso voto a um candidato que nos considera extremistas.¿
Outra manifestação de Primeiro de Maio, convocada pela Confederação Geral do Trabalho, converteu-se num protesto anti-Sarkozy, com 25 mil participantes. Os sindicalistas criticam propostas do direitista que, segundo eles, ferem os direitos trabalhistas. O ex-ministro voltou a dizer que, se eleito, obrigará funcionários dos ônibus e do metrô a manterem o serviço, durante as greves, por pelo menos três horas por dia.
Enquanto Ségolène também fazia seu protesto de 1º de Maio (ver ao lado), Sarkozy viajava pelo país. Ele visitou um centro marítimo, na Bretanha, para ¿homenagear a França que trabalha¿, e um centro de tratamento do mal de Alzheimer, em Bourg-Blanc, onde prometeu aumentar de 200 milhões para 1,5 bilhão a verba anual para combate à doença.