Título: Consumidor vai sentir efeito
Autor: Graner, Fabio
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/04/2007, Economia, p. B1

O fim da CPMF nas operações de crédito, como anunciou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai aliviar um pouco o bolso do consumidor. Isso porque a contribuição tem peso considerável no custo final dos empréstimos, explicam especialistas.

Segundo cálculos do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, em um financiamento de veículo no valor de R$ 25 mil, em 72 prestações, o consumidor acaba pagando cerca de R$ 243,36 de CPMF. Na compra de uma geladeira de R$ 1.500,00 em 24 meses, o custo é de R$ 11,10. 'Portanto, a isenção da contribuição representa um impacto bastante positivo para os consumidores', avalia.

Em operações para o pagamento de dívidas ou outras finalidades, o impacto no bolso de tomador pode ser duplo. Isso porque ele paga a contribuição no momento em que usa o dinheiro do empréstimo e quando quita o contrato ao banco. Mas, na avaliação do executivo, embora positiva, não é essa medida que vai influenciar na tomada de mais crédito pela população. 'O consumidor não leva em conta o custo da CPMF na hora de pegar um empréstimo', afirma Oliveira.

O presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, também elogiou a decisão do governo de baratear o crédito. Mas alertou que esse é apenas um dos itens de um conjunto de medidas que precisam ser revisadas, como o caso dos compulsórios e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). 'De qualquer forma, haverá uma redução importante no custo final para os consumidores.'

Na avaliação do presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Erico Ferreira, a isenção da CPMF é uma boa surpresa para o setor. 'Enfim, o governo mexeu no seu bolso', comemorou o executivo, ressaltando que a contribuição é um tributo 'nefasto'.

Ele acredita que o fim da CPMF nos empréstimos vem em prol do crescimento do crédito no País. Para este ano, a entidade já revisou a expectativa de crescimento das operações de financiamentos de 20% para 25%. 'Se o governo quer que o País cresça, é preciso ter crédito bom e saudável', afirmou Ferreira. 'Qualquer medida que venha para facilitar os empréstimos e diminuir os custos é boa.'