Título: No 'abril vermelho', MST invade até universidade
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Fonte: O Estado de São Paulo, 19/04/2007, Nacional, p. A8

Integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) se aliaram a estudantes e ocuparam o prédio do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas. Segundo representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), a manifestação conjunta foi realizada em protesto ¿contra a influência de empresas transnacionais na universidade¿. A invasão ocorreu na terça-feira, mas até o fim da tarde de ontem parte dos manifestantes continuava no prédio.

Segundo Marília Fontes, do DCE, 40 sem-terra participaram da ação. ¿O MST é parceiro nosso¿, disse ela.

¿Nunca tivemos um grupo externo se manifestando na nossa universidade desse jeito¿, protestou o vice-reitor da UFV, Cláudio Furtado Soares. Ele estranhou a presença do MST na invasão e afirmou que a universidade estava tomando ¿providências jurídicas¿ para garantir a reintegração de posse do prédio.

Em Goiás, nem terra da Igreja, tradicional aliada dos sem-terra, foi poupada pelo MST. Em Jataí, militantes tomaram a Fazenda Nossa Senhora de Guadalupe, de 1.367 hectares, que pertence à diocese da cidade.

Segundo Luiz Afonso Arantes, da coordenação do MST, outras duas fazendas pertencentes à Igreja, nos municípios de Santa Helena e Pirenópolis, estão na mira do movimento. Desde domingo, como parte da ofensiva do ¿abril vermelho¿, o MST já ocupou cinco fazendas, em diferentes regiões do Estado. ¿Estamos intensificando a nossa luta¿, afirmou Arantes. Ele garantiu que novas áreas serão ocupadas nas próximas horas, além de prédios públicos.

PEDÁGIOS

No Paraná, a última praça de pedágio tomada pelos sem-terra na terça-feira foi desocupada ontem pelo MST às 15h50. A retirada dos militantes dos 25 postos foi a conta-gotas. Durante a ocupação, eles liberaram as cancelas para a passagem de todos os veículos sem pagamento das taxas. A Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) não tinha, até a tarde de ontem, um levantamento sobre o prejuízo sofrido pelas seis afiliadas que atuam no Estado.

Segundo o MST, o objetivo da manifestação, que reuniu cerca de 3 mil militantes, foi denunciar a impunidade no massacre de Eldorado dos Carajás (PA), exigir que 8 mil acampados sejam assentados no Paraná e protestar contra o pedágio cobrado nas estradas paranaenses.

CONFLITO

Um confronto entre um destacamento da Brigada Militar e integrantes do MST deixou cinco feridos, em São Gabriel, no sudoeste do Rio Grande do Sul. O conflito ocorreu no fim da manhã, quando uma marcha dos sem-terra encontrou a guarnição policial que vigia o acesso à Fazenda Southall pela RS-630, que liga São Gabriel a Dom Pedrito.

Segundo os sem-terra, os policiais avançaram sobre o grupo de cerca de 300 pessoas, que teria reagido atirando pedras. Segundo a Brigada Militar, os 10 soldados incumbidos da patrulha é que foram atacados pelos sem-terra. No conflito, os sem-terra feriram quatro soldados e danificaram um carro policial. Em nota distribuída no início da noite, o MST reclamou da ¿truculência¿ da Brigada Militar.

Centenas de integrantes do MST ocuparam ontem o escritório da Companhia de Abastecimento de Sergipe, em Poço Redondo, em protesto contra o não-fornecimento de água para o assentamento Jacaré-Curituba. O coordenador estadual do MST em Sergipe, Esmeraldo Leal, disse que os manifestantes só sairão do local quando tiverem uma posição oficial da empresa com relação ao assunto.

Um grupo de 80 militantes do MST manteve interditada por duas horas, na manhã de ontem, a Rodovia Transbrasiliana, a BR-153, em Promissão (SP). A ação provocou congestionamento de aproximadamente três quilometros em ambos os lados.

A Justiça de Presidente Bernardes, no Pontal do Paranapanema, mandou despejar as 300 famílias que invadiram, na segunda-feira, a Fazenda São Luiz, como parte do ¿abril vermelho¿. Caso a desocupação não ocorra voluntariamente, o despejo forçado será realizado amanhã pela Polícia Militar. Até o início da noite, os líderes do MST não tinham sido notificados.