Título: Embaixador critica protecionismo
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/04/2007, Economia, p. B7

O embaixador do Brasil na China, Luiz Augusto de Castro Neves, afirmou ontem que é contra a adoção de medidas protecionistas em relação aos produtos chineses. Em nota enviada à 2.ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China, Castro Neves disse que a China não deve ser vista como uma ameaça ao País.

'É preciso não cair na tentação de soluções simplistas, que são pouco eficazes como instrumento de proteção em um mundo globalizado, onde os preços dos produtos são cada vez mais internacionalizados', afirmou o embaixador. 'Isso não nos levará a lugar nenhum, além de criar um ambiente hostil perante nossos parceiros'.

Ressaltando que não pretende com essas palavras minimizar 'o dilema' das indústrias mais afetadas diretamente pela concorrência chinesa, Castro Neves afirmou que só há uma única resposta possível . 'É a de políticas públicas de reforço da competitividade estrutural, associada a estratégias empresariais que possam identificar nichos de mercado'.

O embaixador ressalvou que o Brasil não deve abrir mão de medidas de defesa comercial. 'Mas é preciso ter em mente que mecanismos de defesa comercial não devem ser substitutos de política de comércio exterior.'

O presidente da Conselho Empresarial Brasil-China, Ernesto Heinzelmann,disse que há um série de coincidências entre o pensamento da entidade e do embaixador. 'Esses mecanismos existem e devem ser utilizados na medida em que há claramente uma competição desleal', afirmou. 'Mas, como disse o embaixador, jamais devem ser substitutos de uma política de comércio exterior, ou seja, são ações paliativas limitadas no tempo.'

Castro Neves reconheceu que a China assusta, mas frisou que a sua prosperidade tem sido e pode continuar a ser positiva para a economia brasileira em geral. 'A política externa brasileira e sua atuação comercial devem ser mais estratégicas, no sentido de identificar as áreas realmente mais propícias para parcerias bilaterais', defendeu. Nesse caso, 'a prioridade é evoluirmos de um modelo de fornecedor de matérias-primas para um cenário onde investimentos chineses permitam a formação de uma cadeia processadora dos insumos no Brasil'.