Título: 'Não vejo como poderá ser uma CPI chapa-branca'
Autor: Domingos, João e Lopes, Eugênia
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/05/2007, Nacional, p. A5

Eleito presidente da CPI do Apagão Aéreo, o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), psiquiatra, sugere que as investigações comecem pelas causas do acidente aéreo de 29 de setembro, quando morreram 154 pessoas. Ele diz que a CPI deve se limitar à crise aérea e à tragédia, não se envolvendo com suspeitas de superfaturamento em setores da Infraero que não tiverem ligação com o caos verificado nos aeroportos nos últimos sete meses.

Por onde a CPI vai começar?

Acho que devemos começar pelo acidente que envolveu o Boeing da Gol e o jato Legacy. Foi o fato que desencadeou toda essa situação. Será o mais sensato. Mas deve ficar claro que é uma decisão que caberá ao plenário da CPI.

Na CPI, o governo tem 16 parlamentares, contra 8 da oposição. Será uma CPI chapa-branca?

Todos aqui sabem que são representantes da sociedade e estão preocupados em descobrir as causas da crise no sistema aéreo e apontar soluções. Nossa função será apontar saídas. Por isso, não vejo como poderá ser uma CPI chapa-branca. Por mim, não será.

Onde a CPI poderá chegar?

Temos de investigar o que está acontecendo nos aeroportos, suas causas, suas origens. Quando a gente está doente, vai ao médico, porque confia que ele vai nos curar. Se achássemos que ia nos matar, não iríamos. A gente só embarca num avião porque acredita que ele vai aterrissar depois. Por isso, é preciso saber o que há com o controle de vôo, se ele é confiável.

Se for preciso convocar comandantes militares, o senhor fará isso?

Não havia pensado nessa possibilidade. Mas, se for preciso, a CPI convocará.

O senhor é a favor da desmilitarização do controle de tráfego?

A gente vê que ao nosso redor o sistema de vôo é civil, não militar. Mas isso é uma decisão de governo, não de CPI.

A CPI vai investigar os contratos com suspeita de superfaturamento da Infraero?

Vamos investigar o controle aéreo, suas causas e conseqüências, bem como o acidente. Se o contrato com suspeita tiver ligação com a crise, vamos investigar. Se for um banheiro superfaturado, que não tem nada a ver com a crise, não é problema nosso.