Título: BC deve ter 'meta oculta' de inflação, diz Mercadante
Autor: Tosta, Wilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/05/2007, Economia, p. B9
Um dos tradicionais conselheiros econômicos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), aventou ontem a possibilidade de o Banco Central (BC) trabalhar com uma 'meta oculta' de inflação, mais baixa que a oficial, e, por isso, não baixar mais acentuadamente a taxa básica de juros.
Em pronunciamento na abertura do 19º Fórum Nacional (evento organizado pelo ex-ministro do Planejamento Reis Velloso, no Rio de Janeiro), o parlamentar lembrou os bons indicadores da economia brasileira - segundo ele, os melhores da história econômica do País desde o pós-guerra - e afirmou que não há razão para que o BC não baixe a Selic com mais força. O senador também fez outras críticas à política econômica, lembrando, às vezes, um oposicionista, pelo conteúdo e pela ênfase com que atacou a linha oficial de condução do BC.
'Precisamos acelerar a redução da taxa básica de juros', afirmou. 'Apoiei fundamentalmente a política econômica, apóio a independência operacional do Banco Central, mas a nossa taxa de inflação está no limite inferior da banda há um ano.'
Ele lembrou que não há nenhuma projeção significativa de aumento da inflação, nem aumento de preços de commodities, nem do petróleo. 'Me digam, na ata do Copom, onde está o risco dessa inflação de 3,14% que fechamos no ano passado para a meta de 4,5%? Ou o BC tem uma meta oculta ou a meta do País é a produzida com a participação do BC. Não tem por que não manter 0,5 ponto porcentual de queda na taxa de juros.'
CÂMBIO
Mercadante também atacou a valorização do real ante o dólar - isso pouco mais de meia hora depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter dito que o que ocorre é uma desvalorização do dólar, não uma alta da moeda brasileira. 'Não basta o Banco Central comprar dólares na velocidade em que está comprando. É preciso reduzir os juros.'
O senador petista também defendeu a retomada da reforma tributária e afirmou que o marco regulatório deve ser prioridade - essa afirmação foi feita logo depois de o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), criticar a suposta aversão do governo Lula às agências reguladoras.
Tasso criticou o governo por vários motivos, como supostos erros de política externa, estímulo à concentração econômica, crescimento de gastos correntes e até o Bolsa-Família, que, para ele, 'de certa forma estimula o ócio'. Mas, curiosamente, elogiou a política econômica.