Título: Estatal quer US$ 120 milhões
Autor: Marques, Gerusa e Veríssimo, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/05/2007, Economia, p. B3

A proposta da Petrobrás para venda integral das ações das duas refinarias na Bolívia deve ficar entre US$ 120 milhões e US$ 160 milhões, confirmou uma fonte da empresa. O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, ao anunciar ontem em Brasília que estava fazendo a proposta ao governo boliviano, não chegou a revelar o valor. A diferença relativamente grande entre as cifras é proposital. 'A idéia é ter uma margem para negociação', informou a fonte.

O valor é bem inferior ao original, que, segundo informações de mercado, girava em torno dos US$ 200 milhões. Mesmo assim, situa-se entre o dobro e o triplo do que a Bolívia anunciou estar disposta a pagar. O tempo exíguo estabelecido pela estatal brasileira para uma resposta - apenas dois dias - é um sinal de que a empresa já não conta com nenhum avanço nas negociações com os bolivianos.

'O valor apresentado pela Petrobrás foi um número hipotético, que considerava os investimentos feitos na modernização da refinaria e calculava 100% sobre o total de US$ 100 milhões pago por ambas', explicou a fonte ouvida pelo Estado.

Segundo dois especialistas de mercado também consultados, o preço, mesmo inferior à proposta inicial, está dentro do considerado como 'justo' para a venda das refinarias. 'É claro que os US$ 200 milhões trariam melhor remuneração, mas, diante da atual situação, repassar o controle dessas unidades é hoje mais vantajoso para a Petrobrás', disse Marco Aurélio Tavares, da consultoria Gas Energy.

Segundo um analista de instituição financeira, que pediu para não ser identificado, a Petrobrás teria de assumir um risco muito alto caso decidisse continuar a operar as refinarias porque, se houvesse um acidente, o reflexo sobre o nome da empresa teria dimensões maiores do que as atividades que ela possui efetivamente na Bolívia.

Um funcionário graduado da estatal confirmou que a possibilidade de elevação no risco da companhia no caso de um eventual acidente nas refinarias contribuiu para a empresa tomar a decisão de repassar o controle acionário das duas unidades. Diante da instabilidade política e do número de manifestações que hoje ocorrem no país há, segundo ele, maior probabilidade de acidentes, que repercutiria de maneira extremamente negativa para a Petrobrás.

A atividade nas refinarias bolivianas é irrelevante no portfólio da Petrobrás e não compensaria o impacto negativo de um problema que ocorresse por lá. Segundo a fonte, a Petrobrás ainda tem intenção de manter as negociações sobre os preços das unidades, desde que elas se mantenham nessa margem e 'não descambem para a irracionalidade'.