Título: Mantega: câmbio não segura o PIB
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Fonte: O Estado de São Paulo, 08/05/2007, Economia, p. B5
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, atenuou ontem o impacto negativo da valorização do real para a economia brasileira, mas deu como certa a adoção de 'bondades' tributárias para os setores mais prejudicados. Segundo ele, a queda do dólar não afeta o crescimento da economia, embora cause danos a alguns setores, como têxteis, calçados e móveis.
Para esses setores, que empregam muita mão-de-obra, o ministro reafirmou que estuda medidas. Segundo ele, o foco está na desoneração da folha de pagamento, mas ressaltou que as propostas ainda estão em análise. 'É certo que as medidas vão sair, a dúvida é em relação ao formato', disse. Ele informou que deu prazo à sua equipe para concluir os estudos.
Mantega explicou que há três opções de desoneração em estudo. Uma delas é a redução de parte da alíquota da contribuição ao INSS, hoje em 20% da folha de pagamento. Outra opção seria a criação de um crédito-prêmio para deduzir da folha de pagamentos a cobrança de PIS e Cofins.
A terceira alternativa seria transferir a tributação do INSS da folha para o faturamento das empresas. A proposta foi cogitada em 2003, no âmbito da reforma tributária, mas esbarrou na dificuldade de fixar uma alíquota que compensasse a mudança de base de tributação sem aumentar a carga e sem reduzir a arrecadação do governo.
Apesar de reconhecer os problemas setoriais, Mantega destacou que as empresas manufatureiras têm encontrando saídas. Ele citou o caso do setor de calçados, que, para enfrentar o mercado chinês, vem fabricando produtos de maior valor agregado, investindo em pontos como design e qualidade. O ministro também citou o setor têxtil, que está vendendo mais para o mercado interno.
FIOCCA NA EQUIPE
Mantega informou ter convidado o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Demian Fiocca, para integrar a sua equipe na Fazenda. Isso será acertado quando Fiocca voltar de férias.
'Certamente, será um lugar ao sol, mas não tanto quanto ele tinha no Rio', brincou Mantega, praticamente descartando a possibilidade de Fiocca ser indicado para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fica no Rio de Janeiro.
Por isso, intensificaram-se as especulações segundo as quais Fiocca poderia ocupar a Secretaria do Tesouro Nacional. Na linguagem dos burocratas, Mantega deu sinais claros de que esse pode ser o destino de Fiocca, porque o atual titular do Tesouro, Tarcísio Godoy, ocupa o cargo como interino há vários meses.
Funcionário de carreira e técnico experiente, Godoy tem a reputação de ser o maior conhecedor dos controles de verbas do Tesouro. Ele é secretário-adjunto desde o governo Fernando Henrique. Chegou a secretário com a saída de Carlos Kawall, no fim de 2006, mas até hoje não foi confirmado. A situação irrita os técnicos da casa, que gostariam de ver um colega de carreira no posto mais alto.