Título: Debate sobre reajuste foi público, diz petista
Autor: Macedo, Fausto e Brandt, Ricardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/05/2007, Nacional, p. A4

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que as pessoas poderiam aproveitar a vinda do papa ao Brasil para ¿acreditar menos em assombração¿, ao negar que os parlamentares tenham se aproveitado da atenção da sociedade voltada à visita de Bento XVI para reajustar seus próprios salários.

¿Com a visita do papa, as pessoas poderiam aproveitar e acreditar menos em assombração, porque esse debate foi feito publicamente¿, afirmou Chinaglia ontem, no Campo de Marte, em São Paulo, pouco antes da celebração de canonização de Frei Galvão, agora Santo Antônio de Sant¿Anna Galvão.

Segundo ele, ¿todo mundo sabia¿ que, na hora em que houvesse a desobstrução da pauta da Casa, em função das medidas provisórias, o reajuste seria votado. Na quarta-feira, dia em que o papa chegou ao País, a Câmara aprovou aumento de 28,5% nos salários dos parlamentares, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente José Alencar e dos 37 ministros de Estado.

Chinaglia, que declarou ser católico, mas não praticante, insistiu que o índice foi apenas a reposição da inflação dos últimos quatro anos e que não houve aumento real. ¿Imagino que a sociedade veja isso com naturalidade¿, declarou. Na sua opinião, a sociedade só não vê medidas desse tipo com naturalidade ¿quando algum deputado comete algum tipo de desvio¿. O debate do aumento, reforçou, ¿foi feito às claras.¿

Ele disse ainda que a Câmara não é inchada, como algumas máquinas públicas - sem citar nomes -, e criticou quem tenta desqualificar os políticos. Segundo o petista, movimento parecido ocorreu às vésperas do golpe militar de 1964.

O salário do deputado passou de R$ 12.847,20 a R$ 16.512,09. Questionado se não é um valor fora da realidade da maioria dos brasileiros, o presidente da Câmara rebateu a um jornalista: ¿Nem o seu salário é natural para os brasileiros.¿