Título: Pressionado, Israel ameaça intensificar ataques ao Hamas
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Fonte: O Estado de São Paulo, 21/05/2007, Internacional, p. A8
Israel prometeu ontem manter sua ofensiva contra militantes do Hamas e seus líderes em resposta aos disparos de foguetes contra as cidades israelenses próximas à Faixa de Gaza. Horas depois, disparou um míssil contra uma casa na Cidade de Gaza, matando pelo menos 8 pessoas e ferindo outras 13, no pior ataque de Israel desde que começou a retaliar os disparos de foguetes do Hamas. O aparente alvo da ofensiva, o deputados do Hamas Khalil al-Haya, não estava na casa. Mais tarde, outro míssil matou um palestino e feriu outros três. De manhã, um ataque contra o que os israelenses disseram ser uma fábrica de armas do Hamas matou três palestinos - dos quais, só um era militante.
Apesar dos ataques israelenses - que desde terça-feira mataram 35 palestinos -, militantes de Gaza dispararam ontem pelo menos 12 foguetes Qassam contra o sul de Israel. Vários deles caíram na cidade de Sderot, onde os moradores protestaram contra o governo israelense. Desde a semana passada, cerca de 8 mil dos 23 mil moradores abandonaram a cidade por causa dos foguetes, que destruíram casas e deixaram vários feridos. O ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, aprovou ontem um status especial de 48 horas para a região de Sderot após o disparo de mais de 120 foguetes do Hamas, permitindo o pagamento de compensações aos moradores.
Após reunir-se com seu gabinete, o primeiro-ministro, Ehud Olmert, ameaçou adotar uma ação mais efetiva em Gaza. ¿Se as medidas que estamos adotando, na esfera política e militar, não trouxerem a calma desejada, seremos forçados a intensificar nossa resposta¿, disse Olmert, sem esclarecer se isso significaria uma invasão militar. Ele disse que as operações militares terão como foco militantes do Hamas e da Jihad Islâmica, que ele também acusou de serem responsáveis pelos disparos de foguetes da semana passada.
Um porta-voz do Hamas, que compartilha o governo de união palestino com os nacionalista do partido laico Fatah, anunciou que o grupo radical islâmico continuará com seus ataques ¿às comunidades e assentamentos judaicos¿.
A Jihad Islâmica, por sua vez, emitiu ontem um comunicado advertindo que ¿um exército de mulheres suicidas¿ atacará os soldados israelenses que invadirem a Faixa de Gaza, de onde o Exército de Israel partiu em setembro de 2005.
Os ataques aéreos israelenses de ontem foram lançados em meio a uma trégua entre as facções rivais Hamas e Fatah, após uma semana de violentos confrontos que deixaram mais de 50 palestinos mortos. Alguns moradores de Gaza acreditam que os ataques de Israel contribuíram para acalmar o conflito interno, provocado pela disputa pelo controle da segurança de Gaza.