Título: Fiesp apóia urgência de reformas, mas CUT quer fim de 'dogma' do superávit
Autor: Nossa, Leonencio
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/05/2007, Nacional, p. A12
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, não gostou das declarações feitas pelo presidente Lula sobre a urgência das reformas trabalhista e previdenciária. ¿Concordo quando diz que não devemos ter dogmas nem preconceitos no debate destes assuntos¿, disse ele ao Estado. ¿Mas não concordo que devamos debater só esses temas, numa agenda que ele define.¿
Segundo Henrique, ¿é preciso acabar com dogmas e preconceitos também na hora de discutir os índices de superávit primário estabelecidos pelo governo, as altas taxas de juros que beneficiam o sistema financeiro e a falta de investimentos em políticas públicas e sociais¿.
O presidente da CUT estava na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), ouviu a exposição de Lula e reagiu. Disse que o governo não deve adotar uma agenda de direita, ¿derrotada nas eleições¿.
Quando ele se manifestou, porém, o presidente já tinha saído da reunião.
Em setores do empresariado a manifestação de Lula foi bem recebida. O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, concorda com a idéia de que a atual legislação trabalhista está ultrapassada. ¿Ela deve ser revista e modernizada, para se adaptar à nova realidade do País e do mundo. Não podemos esquecer os progressos que fizemos nos últimos 50 anos.¿
Skaf enfatizou, porém, que o processo de discussão das reformas deve ser amplo, envolvendo representantes dos empregadores e dos empregados: ¿Não pode ser uma decisão de mão única.¿
Para o consultor de empresas Antoninho Marmo Trevisan, o momento para se fazer as reformas não poderia ser mais apropriado que o atual. ¿É uma situação formidável, porque a economia está em alta, com o nível de emprego e a massa salarial crescendo¿, disse ele. ¿Isso possibilita um debate mais tranqüilo do que numa situação de insegurança.¿
Para o consultor, as mudanças têm que ser feitas rapidamente, para que tenham efeito nas próximas décadas.