Título: Lula afirma que CLT precisa ser flexibilizada
Autor: Nossa, Leonencio
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/05/2007, Nacional, p. A12
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que vai mesmo iniciar o debate de uma reforma nas leis trabalhistas da era Vargas. Na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto, Lula também fez coro a segmentos que defendem as reformas política, tributária e da Previdência.
Ele disse que não pretende tirar direitos, mas flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de 1943, garantindo contratos especiais a um ¿exército¿ de jovens entre 15 e 24 anos. ¿Ora, meu Deus do céu, longe de mim querer tirar direito de trabalhador¿, ressaltou. ¿Mas não é possível que as coisas feitas em 1943 não precisem de mudanças em 2007, 2008. São 50 anos. O mundo do trabalho mudou.¿
Na avaliação de Lula, o cenário também é diferente daquele dos anos 1970, quando presidia o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista e liderava grandes greves. ¿Quando ia a uma fábrica e falava `peão¿, a peãozada delirava¿, lembrou. ¿Hoje, se você falar `peão¿, os caras falam: `Não sou mais peão.¿ Eles já fizeram universidade, curso de especialização, estão em outro patamar.¿
Apesar da argumentação de Lula em favor da reforma trabalhista - com a qual pretende a criação de mecanismos legais para combater a informalidade, além de desburocratizar e desonerar as contratações formais -, o debate sobre as mudanças empacou no Fórum Nacional do Trabalho criado por seu próprio governo. Além disso, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que ele empossou no cargo há pouco mais de um mês, é contra qualquer alteração . ¿Podem me chamar de antiquado, de atrasado, dizer que estou fora do mundo atual. Mas não vou defender reformas que tiram os direitos do trabalhador¿, disse Lupi dias depois de assumir o cargo.
Ontem Lula também defendeu a discussão da reforma previdenciária para combater o déficit de R$ 47 bilhões do sistema, sem prejudicar os mais pobres e com mudanças que só tenham reflexos nas futuras gerações. ¿Vamos querer discutir como será daqui 20 ou 30 anos. Quero que esse debate seja com a cabeça aberta, sem dogma, pensando no que vai ser bom para este país.¿ Esta, no entanto, é uma reforma que divide todos os partidos e enfrenta resistências antes até de o governo enviar uma proposta formal ao Congresso.
MEDO
Lula afirmou que todos - políticos, sindicalistas e trabalhadores - têm medo de reformas. Comparou os atuais sistemas político, trabalhista, tributário e previdenciário a casas com mofo, banheiro entupido, com risco de desabamento, e a ¿tumores malignos¿ que não puderam ser removidos no primeiro mandato. ¿Todo mundo sofrerá algum problema com uma mudança no começo, mas ao longo do tempo essa mudança cria vantagens¿, disse. ¿É no debate que a gente descobre se é possível ou não.¿
Em relação à Previdência, o presidente disse que sabe com clareza como funciona a cabeça dos dirigentes sindicais - de resistir às mudanças. ¿Agora, eu quero discutir, quero um espaço para discutir¿, ressaltou. ¿Temos de aproveitar o momento político para fazer essas coisas.¿
Lula relatou que os sindicalistas dizem que um contrato especial de trabalho tornará mais precário o sistema e criará um ¿trabalhador diferente¿. ¿Tudo bem, trabalhador diferente ele já é, quando está na rua, sem trabalhar¿, ressaltou. Por fim, avaliou que não se pode esperar a economia crescer para resolver a situação do trabalho informal.
FRASES
Luiz Inácio Lula da Silva Presidente
¿Quando ia a uma fábrica e falava `peão¿, a peãozada delirava. Hoje, se você falar `peão¿, os caras falam: `Não sou mais peão.¿ Eles já fizeram universidade, curso de especialização, estão em outro patamar¿
Todo mundo sofrerá algum problema com uma mudança no começo¿.