Título: Ex-secretário vê taxa abaixo de R$ 2 por mais dois anos
Autor: Dantas, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/05/2007, Economia, p. B1
O ex-secretário de Política Econômica José Roberto Mendonça de Barros disse ontem que o dólar vai continuar abaixo dos R$ 2,00 'até onde a vista alcança ou pelos próximos dois anos'. Ele também disse que, com a acumulação de reservas pelo Banco Central (BC), por meio da compra de dólares, 'veremos a dívida externa zerar'. Para ele, o câmbio atual estimulará o redesenho geográfico do agronegócio e uma nova configuração industrial no País.
Segundo Mendonça de Barros, o câmbio atual expõe 'as fragilidades da economia', como as deficiências e os custos da infra-estrutura. A conseqüência para o agronegócio será as atividades de exportação se aproximarem cada vez mais de regiões próximas dos portos. Mato Grosso, onde se produz grãos mais baratos, deverá, ao contrário, atrair mais indústrias consumidoras desse insumo, como os produtores de aves e de suínos.
'O maior impacto no agronegócio será na sua geografia', comentou. Ele também explicou que os altos preços internacionais de commodities compensam, em parte, o câmbio para as empresas exportadoras. A Sadia, por exemplo, executa um projeto de R$ 800 milhões em Lucas do Rio Verde, de dois frigoríficos, de frangos suínos.
Para o economista, as commodities agrícolas ou industriais ganharão terreno nas exportações. 'As ganhadoras serão as cadeias ligadas a commodities. Não tenho nada contra isso', comentou. Ele citou, ainda, que áreas tradicionais da indústria perdem competitividade por causa da cotação baixa do dólar. Ele avalia que é impossível que a estrutura industrial não mude.
'Vai ocorrer uma reconfiguração, não uma desindustrialização', explica. Assim, as áreas industriais ligadas a cadeias dinâmicas de commodities (mineração, agrícolas) avançarão. Além do encolhimento de setores mais prejudicados com o câmbio, haverá fusões e aquisições. O câmbio atual também estimula a instalação de indústrias brasileiras no exterior.