Título: Crescem as apostas em corte de 0,5 ponto na Selic
Autor: Dantas, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/05/2007, Economia, p. B1

A queda do dólar para abaixo da barreira dos R$ 2, conjugada com a redução dos índices e das expectativas de inflação, levou a maior parte do mercado a esperar para junho um corte de 0,5 ponto porcentual da taxa Selic. Atualmente, a taxa nominal de juro é de 12,5% ao ano.

Levantamento preliminar feito ontem pela Agência Estado com 25 instituições financeiras mostra que, desse total, 16 trabalham com a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar a dose de corte do juro de 0,25 ponto porcentual para 0,5 ponto na próxima reunião, em 6 de junho. Apenas nove instituições prevêem manutenção do ritmo de corte em 0,25 ponto porcentual.

No dia 26 de abril, mesmo dia em que o Banco Central divulgou a ata da reunião do Copom em que a Selic foi reduzida em 0,25 ponto porcentual - na época o placar foi de quatro votos a favor de 0,25 ponto contra três que defendiam 0,5 ponto -, a AE consultara 21 instituições, das quais 11 previam uma redução de 0,25 ponto e dez trabalhavam com um corte de 0,5 ponto porcentual. Naquele dia, o empate técnico ia contra a curva do mercado de juros futuro, que indicava, desde a decisão do Copom de abril, corte de 0,5 ponto da Selic em junho.

Agora, no entanto, depois da seqüência de dois upgrades no rating do Brasil (Fitch e S&P), com o dólar abaixo de R$ 2,00, inflação sob controle, redução dos riscos no cenário internacional, petróleo na casa dos US$ 60 e risco país abaixo dos 150 pontos, aumentaram as apostas em corte de 0,5 ponto. Alguns operadores mais ousados falam até em 0,75 ponto porcentual, tese refutada pelos economistas ouvidos pela AE.

O economista-chefe da Mauá Investimentos, Caio Megale, é um dos que esperam redução de 0,5 ponto porcentual da Selic no mês que vem. Segundo ele, no atual momento, de câmbio e inflação em queda, dá para a autoridade monetária voltar ao ritmo anterior de corte de juros, de 0,50 ponto.

No grupo minoritário, que projeta corte de 0,25 ponto porcentual, encontra-se o economista-sênior do Banco Santander Banespa, Maurício Molan. Para ele, o Copom deverá manter o ritmo de corte da Selic em razão da avaliação do crescimento econômico, com a percepção de que um maior corte da Selic provocaria mais inflação em 2008.