Título: Briga com a Bolívia, por enquanto, é assunto da Petrobrás, diz Lula
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/05/2007, Economia, p. B1
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que, 'por enquanto', a discussão sobre o preço das refinarias da Petrobrás com a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) é um problema da estatal brasileira, e não uma briga de governos. Porém deu a entender que, posteriormente, o Palácio do Planalto poderá interceder na questão. 'Isso é uma briga, por enquanto, da Petrobrás, e não uma briga que envolve o governo.'
Lula reafirmou que, se a empresa boliviana não pagar um 'preço justo', o governo brasileiro recorrerá à Justiça internacional. E acrescentou que, apesar do episódio, 'está consciente' de que não haverá problema de fornecimento de gás para o País.
A decisão da Petrobrás de não refinar mais petróleo na Bolívia foi tomada após o decreto do governo boliviano que deu à YPFB o monopólio da exportação do petróleo, a preços abaixo do mercado internacional. Ontem, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, informou que, a pedido do governo boliviano, a Petrobrás vai se reunir na manhã de hoje com o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Vilegas, em La Paz, para explicar a oferta final feita na segunda-feira para a venda integral de suas refinarias no país.
Lula contou que desde a viagem a Caracas, na Venezuela, em meados de abril, já vinha conversando com o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, sobre a questão da venda das refinarias. 'A Petrobrás não tem o menor problema de vender a refinaria. O que a Petrobrás quer é um preço justo', avisou Lula.
Para Lula, é certo que a discussão sobre o preço das refinarias 'não vai prejudicar o fornecimento de gás' ao Brasil. 'Até porque não estamos discutindo o gás neste momento. A discussão do gás foi um tempo atrás, quando foi feito um acordo entre a Petrobrás e a empresa boliviana. Esse acordo está em vigência e foi até aprovado pelo Congresso boliviano.'
Outra proteção contra problemas de fornecimento de gás natural está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula ressaltou que investimentos na exploração de gás estão entre as prioridades: 'Vocês devem ter visto no PAC que tem uma soma de investimentos extraordinária para que a gente possa solucionar o problema do gás do Brasil'.
As declarações do presidente foram dadas em São José, região metropolitana de Florianópolis, depois da cerimônia de inauguração do Centro Operacional e Administrativo da Empresa de Correios e Telégrafos.
DIÁLOGO
O presidente da Bolívia, Evo Morales, descartou a arbitragem internacional para resolver o impasse sobre as refinarias da Petrobrás e disse que a questão será resolvida com diálogo. 'Estou convencido de que com países vizinhos como o Brasil não será preciso apelar a arbitragens internacionais', disse Evo, segundo a Agência Boliviana de Informações (ABI).
'Com certeza, haverá entendimento. Isso não é um problema, só é preciso aprofundar o diálogo', afirmou o presidente boliviano. Ele acrescentou que a Petrobrás e a Bolívia não vão negociar a venda das refinarias pelos meios de comunicação.
Segundo a ABI, Evo disse que seu governo se baseia na legalidade, respeita a propriedade e cumpre os acordos. Segundo o boliviano, o principal interesse de seu governo é se basear no valor patrimonial e no diálogo. Evo assegurou que as políticas de transformação na Bolívia irão adiante, mas o país será responsável com os acordos feitos e garantirá o abastecimento de gás ao Brasil.
FRASES
Luiz Inácio Lula da Silva Presidente do Brasil
'Isso é uma briga, por enquanto, da Petrobrás, e não é uma briga que envolve o governo brasileiro'
'A Petrobrás não tem o menor problema de vender a refinaria. O que a Petrobrás quer é um preço justo'
Evo Morales Presidente da Bolívia
'Estou convencido de que com países vizinhos como o Brasil não será preciso apelar a arbitragens internacionais'
'Com certeza, haverá entendimento. Isso não é um problema, só é preciso aprofundar o diálogo'.