Título: Mercosul terá setores protegidos
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/05/2007, Economia, p. B10
O Mercosul prepara uma lista de setores industriais que pretende manter protegidos, mesmo diante de um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC). 'Somos uma união aduaneira e temos uma tarifa externa comum que terá de existir mesmo depois de um acordo da OMC', afirmou o vice-secretário de Negociações Comerciais Internacionais da Argentina, Néstor Stancanelli.
Depois de seis anos de negociações na OMC, o Mercosul finalmente começa a estudar uma forma de atuar com uma posição conjunta no que se refere à abertura de seu mercado para produtos industriais. Os governos do bloco estão preparando uma lista dos produtos que querem que não sofram os mesmos cortes tarifários de outros setores menos sensíveis.
Segundo o argentino, os setores que devem entrar na lista são automotivos, autopeças, têxteis, calçados e brinquedos. Stancanelli conta que, nesta semana, os governos do Mercosul estão reunidos em Assunção exatamente para tentar fechar essa lista e a posição do bloco nas reuniões da OMC.
A Argentina estão sendo vista por outros diplomatas em Genebra como o país que mais está endurecendo a posição nas negociações, tanto pedindo amplos cortes de tarifas dos países ricos para bens agrícolas como mantendo limitado o grau de abertura de seu mercado para a importação de bens industriais.
Stancanelli, porém, nega que haja diferenças na posição da Argentina em relação à do Brasil. 'Temos uma aliança sólida', afirmou. Há poucos meses, porém, em encontro do Grupo de Cairns, no Paquistão, a delegação argentina adotou outro tom e se queixou, em várias oportunidades, do fato de o Brasil não estar sendo transparente com os sócios do Mercosul nas negociações da OMC. O Brasil participa do G4, grupo formado por Estados Unidos, Europa e Índia, além dos Brasil, para tentar tirar a OMC do impasse em que se encontra.