Título: PMDB 'pede vez' na sucessão de Lula
Autor: Leal, Luciana Nunes
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/05/2007, Nacional, p. A5
A defesa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de uma candidatura única da coalizão governista na disputa presidencial de 2010 animou o PMDB a retomar o discurso de ¿agora é a nossa vez¿. O presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), reuniu-se ontem com Lula e reiterou a disposição dos peemedebistas. ¿Eu estou no meu papel de lutar para que o candidato seja do PMDB. Buscarei fazer com que seja do partido, mas o futuro vai dizer¿, afirmou. Temer ressalvou, porém, que neste momento o mais importante é a consolidação da aliança de 11 partidos.
Em entrevista coletiva na terça-feira, Lula disse que quer fazer o sucessor e seu candidato não será necessariamente do PT. O problema é combinar com os aliados. Além do PMDB, o bloco PSB-PDT-PC do B na Câmara tem planos de candidatura própria na sucessão presidencial e apresenta como principal opção o ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE). ¿Meu bloco está na mesma perspectiva do presidente¿, afirmou Ciro, sem falar em projeto pessoal. ¿Sou capaz de citar uns 20 nomes¿, brincou.
O líder do PSB, Márcio França (SP), considerou ¿um avanço¿ a declaração de Lula, por reconhecer que há nomes competitivos em outros partidos. Ele, no entanto, previu que a disputa em 2010 terá dois candidatos governistas e um da oposição.
Os governistas sabem que, com Lula fora da corrida, é difícil construir uma candidatura da coalizão, porque o PT não deve abrir mão de candidato próprio. ¿Lula pode falar isso e há sinceridade, mas também, com muita sinceridade, nós do PT vamos lutar para ter candidato do partido¿, avisou o líder petista na Câmara, Luiz Sérgio (RJ). O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) reforçou: ¿O presidente está no papel dele de defender a continuidade do governo. Acredito que o PT reúne as melhores condições de manter unida a coalizão. Temos bons nomes e eu destaco a ex-prefeita e ministra Marta Suplicy.¿
Diplomático, um dos vice-líderes do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), disse que o momento não é de discutir nomes, mas de ¿consolidar a coalizão¿. Evitando atritos, citou Ciro como um dos possíveis candidatos e acrescentou outras alternativas petistas: ¿O Tarso Genro, o Patrus Ananias, a Marta, a Dilma Rousseff, o Jaques Wagner.¿
Para Ciro, ao pregar a candidatura única Lula tenta pôr fim a ¿essa discussão estéril e impertinente que, para o presidente, só atrapalha¿. O deputado faz alerta para que a base não despreze a força da oposição. ¿Existe favoritismo natural do outro lado, por causa da possível união Minas Gerais-São Paulo¿, disse, referindo-se aos governadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP).