Título: STF quer mais dados para decidir se solta Zuleido
Autor: Domingos, João
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/05/2007, Nacional, p. A6

O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, pediu ontem mais informações ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a prisão do dono da Construtora Gautama, Zuleido Veras, suspeito de comandar um esquema de fraudes em licitações públicas.

Somente depois que receber essas informações é que Mendes deverá decidir sobre o pedido de habeas corpus feito pelos advogados de Veras com o objetivo de livrá-lo da prisão. O ministro, relator do caso, considerou que o processo no STF não estava devidamente instruído e decidiu aguardar as informações do STF para analisar o pedido de revogação da prisão.

Assim, Zuleido fica na carceragem da Polícia Federal até a análise do pedido de liminar.

O empreiteiro está preso há dez dias na Superintendência da PF em Brasília. No sábado, ele esteve no STJ com a ministra Eliana Calmon, que é a relatora do inquérito sobre as supostas irregularidades nas licitações e autora da decisão que determinou as prisões. Mas o empreiteiro não quis falar sobre as acusações que a Polícia Federal faz a ele sobre fraudes em licitações. Por causa dessa recusa, foi mantido preso na carceragem da Polícia Federal.

O vice do STF tem atendido a grande parte dos pedidos de libertação de presos na Operação Navalha. Foram beneficiados por decisões de Mendes o ex-procurador-geral do Maranhão Ulisses César Martins de Sousa, o empresário José Edson Vasconcellos Fontenelle, o prefeito de Camaçari (BA), Luiz Carlos Caetano, o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Carneiro Tavares, o presidente do Banco de Brasília, Roberto Figueiredo Guimarães, o secretário de Infra-estrutura de Alagoas, Márcio Fidelson Menezes Gomes, o deputado distrital Pedro Passos Filho (PMDB), Francisco de Paula Lima Júnior e Alexandre Maia Lago - sobrinhos do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT) - e o engenheiro Rosevaldo Pereira Melo.

Por causa das decisões favoráveis a presos na Operação Navalha, Mendes foi criticado. Na semana passada, ele desabafou e acusou a Polícia Federal de ¿canalhice¿. Ele reclamou do vazamento de informações sobre inquéritos e afirmou que havia uma tentativa de intimidá-lo por meio da divulgação de informações a seu respeito que, segundo ele, são falsas.