Título: Uruguai acaba com morte materna
Autor: Formenti, Lígia
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/05/2007, Vida&, p. A16

A prática do aborto no Uruguai é crime. Mas, desde 2004, existe no país um programa de assistência médica que fornece orientação às mulheres que planejam abortar. Batizado de ¿Normas e Guias Clínicas para a Atenção Pré e Pós-Aborto¿, permite que milhares de mulheres possam driblar a lei. Sua ação, no entanto, é restrita, já que é aplicado apenas no Pereyra Rossell, principal hospital público de Montevidéu, responsável por 20% dos partos no país.

O programa determina que os médicos devem explicar às mulheres quais são as técnicas de aborto existentes e os riscos de cada uma. Oficialmente, serve para prevenir abortos inseguros, feitos na ilegalidade, por pessoas não habilitadas. Na prática, é uma forma de driblar a proibição do aborto, já que os médicos as assessoram sobre as formas ¿de fazer aquilo que não deveria ser feito¿. O programa também dá atenção pós-aborto.

Em 2004, o aborto era responsável por 48% das mortes ocorridas no hospital. No ano passado, nenhuma morte foi registrada. Apenas 20% das mulheres orientadas optaram por não fazer o aborto - pela gravidez adiantada ou após verem exames com a imagem do bebê. Todas as que decidiram pela interrupção optaram por usar o remédio misoprostol.