Título: Rentabilidade das exportações cai 1,9% em abril, mesmo com a alta de preços
Autor: Brandão Junior, Nilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/05/2007, Economia, p. B4
A rentabilidade das exportações, que havia subido 2% em março, voltou a cair em abril, mesmo com o aumento médio dos preços de produtos vendidos pelo Brasil no exterior. O Índice de Rentabilidade das Exportações, calculado pela Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), caiu 1,9% em abril em relação a março. Na comparação com abril de 2006, a queda no mês passado foi de 0,7%.
De acordo com a Funcex, os preços de exportação acumulam aumento de 9,3% nos 12 meses até abril. Mas no mês passado o crescimento foi de ¿apenas 1%¿ em relação ao mês anterior. De fevereiro para março, os preços tiveram reajuste médio de 2,4%, o que compensou a valorização do real ante o dólar e o aumento nos custos de produção.
No mês passado, o aumento dos preços dos produtos exportados não foi suficiente para compensar a queda da cotação do dólar em relação ao real (de 2,7% em relação a março). Ainda houve aumento de 0,2% nos custos de produção no País, o que também influiu para a queda do índice.
O Índice de Rentabilidade, que tem base 100 em dezembro de 2003, terminou abril em 83,3, ou seja, com queda de quase 16,7% em relação a 2003. Mas o nível do mês passado ainda está um pouco acima dos de fevereiro e de dezembro, que não chegaram a 83.
EXPANSÃO
Mesmo rendendo menos, em abril as exportações cresceram mais que o esperado pela Funcex. Tiveram expansão de 27% na comparação com o mesmo mês do ano passado, mais que o aumento das importações, de 22,5%.
Os números parciais de maio também são positivos. De acordo com a Funcex, eles indicam saldo comercial de US$ 4,6 bilhões este mês, com exportações de US$ 14,5 bilhões e importações de US$ 9,9 bilhões.
O comportamento da balança comercial levou a Funcex a aumentar a previsão de saldo comercial para US$ 43 bilhões. Ele resultaria de exportações de US$ 157 bilhões (14% mais que em 2006) e de importações de US$ 114 bilhões (24,7% mais que no ano passado).
A taxa de câmbio afeta mais os produtos manufaturados não diretamente ligados a cadeias de recursos naturais. Isso porque produtos da agropecuária ou da indústria extrativa, como soja e minério de ferro, ou mesmo manufaturados derivados desse tipo de produto, como o aço, tiveram alta de preços nos últimos anos, influenciada pelo surgimento da China como forte importadora. Outros setores, como têxteis e calçados, vêem na China uma competidora que tem menor custo final.