Título: Cresce o número de importadores
Autor: Brandão Junior, Nilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/05/2007, Economia, p. B4

A quantidade de empresas importadoras deverá subir das 24.567 registradas em 2006 para 29 mil neste ano no País, segundo projeção da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Caso se confirme, esse total será o maior desde a desvalorização cambial de 1999, que derrubou as importações. A quantidade de exportadoras deverá recuar pelo segundo ano consecutivo e voltar ao nível do início da década.

O número de importadoras vinha crescendo lentamente nos últimos três anos, mas permanecia pouco acima de 22 mil. Em 2006, acompanhando a valorização mais forte do real, chegou a 24 mil e este ano deverão surgir cerca de 4,5 mil empresas, estima o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro.

Só no primeiro quadrimestre deste ano surgiram quase 2 mil novas importadoras - o mesmo que em todo o ano passado - e a expectativa é de que esse número cresça mais. ¿A tendência é avançar. Se mantiver esse ritmo, vai chegar a mais de 4 mil¿, afirma Castro.

Ele comenta que a expansão reflete o câmbio baixo, que está favorecendo a importação de produtos por preços melhores. Quando o real se desvalorizou, ocorreu o oposto. Em 1998, havia 36.158 empresas importadoras, número que despencou para 27.535 em 1999, depois da desvalorização da moeda, em janeiro daquele ano.

A AEB analisou que grande parte das novas importadoras são empresas de pequeno porte, com compras no exterior de até US$ 6 milhões nos primeiros três meses do ano.

Ainda assim, o total de importadoras também aumentou em faixas de valores mais elevadas. Isso mostra, basicamente, que empresas que já vinham trazendo produtos para o país estão importando mais.

No caso das exportadoras, prossegue Castro, principalmente as pequenas e médias empresas perdem fôlego para continuar vendendo no exterior, com o câmbio na taxa atual. Ontem, o dólar fechou em R$ 1,95.

Ele diz que, enquanto as firmas menores saem das exportações, as de maior porte que sofrem com o câmbio reduzem as vendas externas ou restringem os mercados em que atuam.

O economista da Fundação Centro de Estudos em Comércio Exterior (Funcex), Fernando Ribeiro, lembra que as exportadoras que também importam conseguem compensar, parcialmente, os efeitos negativos do câmbio sobre suas vendas externas.

Como conseguem trazer insumos e até produtos finais mais baratos, essas exportadoras melhoram os custos de produção. ¿Quase todas as médias e grandes empresas também importam, o que ajuda um pouco¿, diz.