Título: Argentina vai à OMC contra os EUA
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/05/2007, Economia, p. B10
O governo da Argentina pede a autorização da Organização Mundial do Comércio (OMC) para retaliar os Estados Unidos em US$ 44 milhões. Buenos Aires venceu uma disputa no setor siderúrgico e de energia contra a Casa Branca, mas os Estados Unidos nunca chegaram a cumprir a determinação dos juízes da entidade máxima do comércio.
Agora, os argentinos ameaçam com a retaliação, a primeira entre os dois países e mais um motivo de tensão na já complicada relação entre os governos de George W. Bush e de Néstor Kirchner.
O pedido oficial será feito na OMC no próximo dia 4. Há três anos, os argentinos conseguiram que os árbitros da entidade condenassem a decisão dos Estados Unidos de impor uma medida antidumping contra as exportações argentinas de tubos de aço e outros equipamentos usados na indústria petrolífera e de gás natural.
Os americanos, porém, alegam que os argentinos exportam o produto com dumping, ou seja, com um preço abaixo do que é praticado no mercado interno argentino. Isso, para a Casa Branca, seria uma forma de conquistar mercados. A OMC, porém, deu razão às autoridades de Buenos Aires.
Mesmo depois da condenação, os argentinos não conseguiram que os americanos retirassem suas tarifas ilegais. Várias queixas foram feitas por Buenos Aires, sem nenhum sucesso. Agora, o governo de Néstor Kirchner não quer mais esperar.
LISTA
A Casa Rosada pede que sejam impostas retaliações a produtos americanos, no montante de US$ 44 milhões por ano. O valor, segundo os argentinos, é equivalente aos prejuízos que sofrem todos os anos com as barreiras americanas. Agora, querem ¿descontar¿ nos produtos americanos que entram no mercado argentino.
Autoridades em Buenos Aires confirmaram ao Estado que uma lista de produtos americanos que sofrerão a sanção já começou a ser elaborada. Já os americanos não poderão evitar a retaliação, mas apenas brigar legalmente para que o volume da sanção seja menor.
A decisão argentina deverá ter um impacto político. Essa será a primeira vez que Buenos Aires opta por atacar o comércio americano, exatamente em um momento em que os dois países não contam com um diálogo privilegiado. Bush, em sua turnê pela América Latina, deixou a Argentina de fora. Em Buenos Aires, quem esteve foi o presidente venezuelano Hugo Chávez, que hoje praticamente financia o déficit argentino, comprando os papéis emitidos pela Casa Rosada.
Os argentinos devem ainda seguir um caminho diferente do adotado pelo Brasil. O Itamaraty também ganhou o direito de retaliar os americanos por causa da vitória obtida na disputa do algodão. Mas preferiu fechar um acordo de cavalheiros com a Casa Branca e evitar impor sanções, embora tivesse o direito.