Título: No Rio, juízes cobram apuração sobre suspeitos
Autor: Gallucci, Mariângela
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/06/2007, Nacional, p. A6

Numa atitude inédita no Judiciário fluminense, 76 juízes federais de primeira instância requereram ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região (Rio e Espírito Santo) investigação sobre o comportamento dos desembargadores José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo de Siqueira Regueira. Ambos são alvo de processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por conta da Operação Hurricane (Furacão, em inglês) da Polícia Federal, acusados de negociar decisões judiciais a favor da máfia dos jogos no Rio.

A 2ª Região tem 200 juízes, mas alguns, como Lana Regueira, mulher de Regueira, não foram procurados. Outros temeram assinar o documento. Nele, os magistrados se solidarizam com a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, ameaçada em conversa dos desembargadores denunciados. Gravações feitas pela PF em outubro mostram que Carreira Alvim, ao descobrir o grampo em seus telefones, atribuiu os pedidos à juíza e comentou: ¿O negócio é eliminar a Ana Paula¿.

Apesar do pedido, o presidente do TRF, Joaquim Antônio de Castro Aguiar, está decidido a não abrir a investigação. A posição tem dividido desembargadores, em especial os 15 que votaram em Castro Aguiar para impedir que Carreira Alvim chegasse à presidência, seguindo a tradição de o cargo ser ocupado pelo mais antigo desembargador. Os acusados estão em férias, mas os juízes e alguns desembargadores cobram uma posição contrária ao que o requerimento classifica como ¿comportamentos atentadores à dignidade, independência, inamovibilidade e mesmo à integridade física dos juízes federais de primeira instância¿.

Castro Aguiar alerta que o regimento do TRF não prevê processos administrativos contra desembargadores. ¿Estamos providenciando uma ementa neste sentido, mas para casos futuros¿, diz. Para ele, cabe ao TRF colaborar com o processo aberto no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Aos que defendem o processo mesmo assim, o presidente do TRF argumenta que seria uma repetição do que o CNJ faz. Ele avalia que o conselho está adiantado e se mostra convencido de que ocorrerá o afastamento dos juízes envolvidos na Operação Hurricane.