Título: Sarkozy irrita partidários e PS
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Fonte: O Estado de São Paulo, 16/05/2007, Internacional, p. A11
Ao convidar socialistas para serem ministros de seu governo, Nicolas Sarkozy - que assume hoje a presidência da França - despertou críticas tanto de opositores quanto de seus próprios partidários do União por um Movimento Popular (UMP).
A indicação mais polêmica foi a do ex-ministro socialista e fundador da organização Médicos sem Fronteiras, Bernard Kouchner, que já teria aceitado o cargo de chanceler, segundo o jornal Le Figaro. O presidente deve revelar até sexta-feira o nome dos 15 novos ministros.
Alguns integrantes do partido de Sarkozy criticaram abertamente a escolha de Kouchner. ¿Alguém que, como eu, tenha competência em assuntos de defesa considerará bizarro se o ministério (do Exterior) for passado a um socialista ou a um centrista¿, protestou Pierre Lellouche, um dos políticos do UMP que viram evaporar suas expectativas de assumir um cargo no gabinete. Eles temem que a indicação de socialistas possa diluir a imagem do partido nas eleições parlamentares, nos dias 10 e 17 de junho.
Aliados de Sarkozy, entretanto, afirmaram que ele tem de agir pelo bem da França e não de seu círculo de amizade. ¿Esse não é o momento de distribuir prêmios, mas de reunir talentos. Além do mais, o presidente não prometeu cargos a ninguém¿, afirmou Brice Hortefeux, um dos mais antigos aliados de Sarkozy no UMP.
Já os socialistas acusam Sarkozy de tentar minar seu partido (PS) e deixaram claro que partidários que aceitarem cargos no novo gabinete serão considerados traidores. O líder do PS, François Hollande - marido da candidata derrotada Ségolène Royal -, disse ter alertado Kouchner. ¿Será um governo de direita com políticas de direita. É preciso ter consciência e ser coerente¿, afirmou Hollande. ¿Roubar, trair, aproveitar-se das frustrações alheias... Deixo isso para os outros.¿ Jean-Marc Arnault, líder do PS no Parlamento, disse que as manobras de Sarkozy - ou ¿Sarko show¿ - têm o objetivo de ¿desencorajar os eleitores da esquerda¿ nas eleições legislativas. ¿Ele está tentando ter a menor oposição possível.¿
As críticas dos socialistas às ações de Sarkozy evidenciam a divisão interna do PS, que tenta se recuperar da terceira derrota consecutiva em eleições para presidência francesa e luta para conseguir cargos nas eleições de junho.