Título: USP vai à Justiça para retirar alunos da reitoria
Autor: Iwasso, Simone
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/05/2007, Vida&, p. A16

A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) informou na noite de ontem que tomará medidas judiciais contra estudantes que ocupam o prédio administrativo da instituição desde o dia 3. A reitora Suely Vilela decidirá quais ações deverão ser adotadas depois de se reunir com uma consultoria jurídica formada por professores da Faculdade de Direito.

Até as 23 horas, a instituição não havia fornecido novos detalhes. Porém, o recurso jurídico estudado, e que poderá ser usado, é um pedido de reintegração de posse.

Nas duas últimas semanas, a reitora recebeu os alunos por algumas vezes, mas afirmou que, se eles não saíssem até as 16 horas de ontem, procuraria a Justiça e encerraria qualquer possibilidade de diálogo. O grupo de alunos reuniu-se em assembléia no início da tarde e decidiu continuar no local, mesmo com uma nota divulgada pelo Diretório Central dos Estudantes posicionando-se a favor da desocupação.

Cerca de 300 estudantes de vários cursos estão se revezando em turnos e montando acampamento dentro do prédio da reitoria. Eles chegaram a arrombar portas de entrada, quebrar alguns vidros e fazer barricadas com os móveis. Os funcionários que trabalham no local foram expulsos e desde a invasão estão impedidos de entrar.

Além disso, de acordo com a Assessoria de Imprensa da instituição, os computadores estão sendo usados pelos alunos e documentos oficiais e sigilosos estão sendo divulgados pelos estudantes, o que levará a administração da USP a registrar um boletim de ocorrência.

Os estudantes negam que tenham mexido em documentos encontrados no prédio e afirmam que continuarão com a ocupação por considerarem que não foram atendidos. Eles contam que, no dia da invasão, tinham uma audiência marcada com a reitora. Quando chegaram ao local e foram informados de que ela estava em viagem fora do País, decidiram em assembléia feita naquela hora ocupar o prédio.

O movimento tem uma lista com 13 reivindicações. Uma das principais pede que a universidade se pronuncie sobre o decreto do governador José Serra (PSDB) que criou a Secretaria de Ensino Superior. O documento, publicado no Diário Oficial no dia 1º de janeiro, foi entendido por parte dos alunos e da comunidade acadêmica como uma intervenção do governo na autonomia das universidades.

Isso porque as transfere da Secretaria de Ciência e Tecnologia, a que estavam vinculadas até então, para a nova secretaria, criada especialmente para isso. Além disso, inclui o repasse de verba do orçamento universitário no mesmo sistema de contas de todos os outros órgãos públicos do Estado, o que foi interpretado como redução de flexibilidade para remanejar verbas.

Anteontem, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), formado pela USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou nota oficial afirmando que a autonomia das entidades não foi prejudicada até o momento pelas medidas.

Outro tema defendido pelo movimento é uma ampliação das vagas de moradia estudantil e a contratação de mais professores. Em carta aos alunos, a instituição afirmou que se compromete a continuar as negociações sobre esses tópicos, desde que o prédio seja desocupado.