Título: Cúpula do partido teme perder comando da pasta
Autor: Domingos, João
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/05/2007, Nacional, p. A4
A saída do ministro Silas Rondeau dividiu a cúpula do PMDB nos últimos dias. O senador José Sarney (AP) foi o primeiro a defender que deixasse o ministério, ainda que a título de afastamento. O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), discordavam da demissão súbita, sem antes articular o sucessor do PMDB. Diante dos sinais de que a saída era irreversível, Sarney se mobilizou para tentar manter o espaço do partido à frente de Minas e Energia.
Renan e Sarney se encontraram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem à tarde para uma conversa reservada. Foi neste encontro, conta um dirigente do PMDB, que Sarney tratou da sucessão de Rondeau. Convencido de que seu ministro teria de ser ¿sacrificado¿, Sarney sugeriu outros nomes.
Setores do PMDB entenderam a pressa de Sarney como tentativa de livrar-se do desgaste político do apadrinhamento de um suspeito de tomar propina. Ao mesmo tempo, a cúpula do partido levantou a suspeita de que, em meio à operação policial, havia também uma operação política de setores do PT para enfraquecer a dupla Renan-Sarney.
A despeito da disputa entre o PMDB do Senado e a bancada da Câmara por cargos do segundo escalão, peemedebistas de todas as alas defenderam ontem a manutenção de Minas e Energia na cota dos senadores.
Ainda assim, a cúpula peemedebista teme perder o posto, especialmente porque a definição Passa pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.