Título: Bush planeja passar controle no Iraque à ONU
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Fonte: O Estado de São Paulo, 23/05/2007, Internacional, p. A14

O governo Bush está desenvolvendo um plano para 'internacionalizar' a crise no Iraque, que prevê a ampliação do papel das Nações Unidas. A informação foi divulgada ontem pelo jornal britânico The Guardian, que cita um ex-funcionário de alto escalão americano. A estratégia seria uma maneira de reduzir a responsabilidade dos EUA pelo futuro do Iraque e também de limitar os danos que o fracasso da guerra pode causar na campanha republicana nas eleições presidenciais, em 2008. Segundo o ex-funcionário, a idéia é pedir à ONU que assuma o controle que hoje é dos EUA.

O novo plano vem à tona em meio a temores de que o polêmico reforço das tropas americanas - comandado pelo general David Petraeus - não dê resultado e o Irã vença a disputa pelo controle do país. 'Petraeus é brilhante. Mas ele é o capitão de um navio que está afundando', disse a fonte. Embora o conflito sectário em Bagdá tenha diminuindo com a implementação do plano, em fevereiro, o nível de violência no país permaneceu inalterado.

A estratégia da Casa Branca prevê que a ONU supervisione a transição do Iraque para uma democracia estável e que amplie o papel de suas agências humanitárias. Também está prevista a criação de um comando central da ONU no país e de uma força de paz liderada por muçulmanos. Os membros permanentes do Conselho de Segurança (especialmente a França) e o Japão ajudariam na criação de uma nova legislação.

Países vizinhos do Iraque e instituições como o Banco Mundial e o Fundo Monetária Internacional também forneceriam mais apoio ao país do Golfo. O plano também prevê a aceleração da retirada das tropas americanas das frentes de combate e a transferência do controle da segurança para os iraquianos. Se tudo isso falhar, segundo o ex-funcionário, os EUA devem fazer um acordo com o clérigo xiita Muqtada al-Sadr, líder da mais temida milícia iraquiana.

O Guardian também informou que o Irã está criando laços secretos com integrantes da Al-Qaeda e com milícias árabes sunitas no Iraque para orquestrar um confronto final com as forças da coalizão, com o objetivo de levar o Congresso americano a aprovar a retirada militar total. 'Acreditamos que a Al-Qaeda e o Irã tentarão ampliar a violência antes do relatório de Petraeus, em setembro', disse uma fonte do governo americano que não teve sua identidade revelada, referindo-se ao documento que o general apresentará ao Congresso sobre a situação no Iraque.