Título: Ex-delegado 'dá aula' a Zuleido
Autor: Brandt, Ricardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/05/2007, Nacional, p. A6
Uma das conversas entre o empresário Zuleido Soares Veras e o ex-delegado da Polícia Federal Joel de Almeida Lima poderia ser só um diálogo de instrução entre advogado e cliente. Mas é na verdade uma aula de como um empresário sob investigação deve se comportar durante uma oitiva policial para não levantar suspeitas.
No dia 30 de setembro de 2005, Zuleido liga para Lima e lê as perguntas que serão feitas a um empresário paulista - parceiro em seus negócios - que havia sido intimado a depor.
Lima, então, dá as orientações, após repetir cada uma das perguntas. ¿Se ele recorda dos fatos?: ele tem que dizer que sim, porque se ele participou do evento (licitação) ele não vai negar porque senão fica parecendo que tá dirigido. Tem que dizer que recorda, que participou em tal época, tratando de tal obra. Como não foi coisa pequena, se ele disser que não se recorda, eu acho até capcioso.¿
Ao ser questionado se lembra do nome da vencedora, o amigo de Zuleido, segundo Lima, ¿tem que dizer que sim¿. ¿Porque se ele se recorda dos fatos, se recorda da vendedora.¿
E à pergunta sobre se lembra do tipo de direcionamento deve responder que ¿não, porque foi um processo lícito em que todos participaram em igualdade de condições e a que teve melhor preço foi a que venceu¿, sugere Lima.
O ex-delegado conclui a aula dando orientações para que o empresário mantenha a calma. ¿Quando o delegado for para as perguntas finais é que ele tem que ter o equilíbrio para não se desesperar. Qualquer coisa: não me recordo e não sei. Coisa que sabe e está na duvida que vai dar complicações: não me recordo, não sei. Para não comprometer nem um nem outro. Não precisa de detalhes porque é sempre comprometedor.¿