Título: Empreiteiro cogitou fazer da CGU sua aliada
Autor: Brandt, Ricardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/05/2007, Nacional, p. A6

O dono da Construtora Gautama, Zuleido Soares Veras, teria cogitado até usar a Corregedoria-Geral da União (CGU) como ¿aliada¿ do esquema de corrupção. É o que indicam gravações de conversas telefônicas realizadas pela Polícia Federal. Em uma conversa de 26 de maio do ano passado, Zuleido perguntou a um amigo se o ex-corregedor Waldir Pires, atual ministro da Defesa, teria deixado um sucessor que pudesse ajuda a dar um ¿aperto¿ nos alagoanos.

Segundo a gravação, Zuleido tinha a expectativa de que a pressão da corregedoria o ajudasse a receber R$ 5 milhões do governo de Alagoas, pelas medições duvidosas e parte da já executada barragem de Pratagy. No telefonema, o empreiteiro disse ao amigo, chamado Josemar: ¿Venha cá, aquele ministério que Waldir foi, foi...¿ Ele acabou sendo interrompido antes de completar a frase: ¿Autoridade¿, afirmou Josemar.

¿Eu estou precisando daquele ministério para dar um a aperto no pessoal de Alagoas. Você me entendeu?¿, continua Zuleido. Josemar concordou com um monossílabo. ¿Então, eu queria ver da Bahia lá¿, acrescentou o empreiteiro.

Josemar garantiu-lhe que ficou ¿gente amiga¿ na corregedoria. ¿Essa pessoa que eu falei sobre ele é capaz¿, disse. ¿Verifica, porque se a gente tiver uma pessoa lá, a gente pode dar um aperto em Alagoas¿, respondeu Zuleido. ¿Vou entrar em campo¿, prometeu o amigo. Mas ele não encontrou ninguém na corregedoria capaz de atuar como aliado do empreiteiro.