Título: Gautama fez 438 casas no Rio, mas ganhou por 580
Autor: Brandt, Ricardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/05/2007, Nacional, p. A6
A Construtora Gautama recebeu, até 2003, R$ 28,1 milhões em um contrato de construção de 580 casas populares e urbanização da Favela do Lixão em Duque de Caxias, no Rio, mas só entregou 438 unidades. O resto da obra foi feito pela LJA, resultante de cisão da empreiteira, que recebeu R$ 12,4 milhões. O pagamento foi feito em contrato com a Companhia Estadual de Habitação (Cehab) no Programa Habitar Brasil, do governo federal, iniciado em 1998. Em 3 e 4 de abril de 2002, a Gautama recebeu R$ 4,1 milhões por ordem do então governador Anthony Garotinho (PMDB), que deixou o cargo no dia 5 de abril de 2002 para concorrer à Presidência. Ele nega irregularidades na operação, classificada no Siafem como ¿com prioridade¿.
Segundo a Secretaria de Habitação, o contrato com a Gautama foi feito em 1998 (o governador era o tucano Marcello Alencar) e se referia à construção de 568 habitações (apesar de o Siafem registrar o pagamento por 580), além de obras de urbanização. O valor total na época era de R$ 41,8 milhões. O último aditivo foi assinado em outubro de 2003. No momento, a obra está parada, aguardando o fim de inspeção do Tribunal de Contas do Estado e de auditoria da Cehab.
Rastreamento feito pela assessoria do deputado Alessandro Molon (PT) detectou 15 ordens de pagamento, no total de R$ 4,2 milhões, em favor da Gautama, em 3 e 4 de abril de 2002. ¿Queremos saber se todas as casas foram construídas.¿ Em seu blog, Garotinho disse que as casas foram entregues. ¿Por tratar-se de convênio entre o governo do Estado e a Caixa, a contrapartida do Estado foi paga para não haver a acusação posterior de inadimplência junto à União.¿