Título: Indústria aproveita a maré e já pressiona para elevar preços
Autor: De Chiara, Márcia
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/06/2007, Economia, p. B4
O aumento do consumo já começa a abrir espaço para pressões por aumentos de preços. Fabricantes de embalagens de papelão sinalizaram com o reajuste de 20% em 45 dias, conta o sócio-diretor da Latina Eletrodomésticos, Valdemir Dantas.
Ele e outros industriais reclamam dos reajustes pedidos pelos fabricantes de aço na faixa de 7% para os próximos meses e de compressores, componente usado em refrigeradores, na faixa de 6% para agosto.
Dantas diz que o pedido de aumento é justificado pela disparada no preço das aparas usadas na produção de embalagens de papelão. No caso dos compressores, a história é outra. Como os fabricantes têm forte presença no mercado internacional, com o dólar fraco, eles tentam compensar as perdas nas exportações reajustando preços no mercado interno, diz ele.
Na prática, essa pressão por aumentos pode ser acatada parcialmente, mas numa proporção bem menor que os reajustes pedidos. É que, com o aquecimento do consumo no mercado doméstico, há espaço para acomodar aumentos menores, na faixa de 2% a 3%. Provavelmente esses reajustes terão impacto muito pequeno na inflação, uma vez que, com o dólar baixo, a concorrência de similares importados é vigorosa.
No caso dos alimentos, o quadro é diferente. Os aumentos de preços que começaram a se acelerar a partir de setembro do ano passado em níveis superiores aos índices gerais de preços vieram para ficar e devem desacelerar o consumo, o inverso do que ocorre hoje com os bens duráveis, na opinião do economista Braulio Borges, da LCA Consultores.
Em razão da febre do etanol obtido a partir do milho nos Estados Unidos, houve valorização nos preços de várias commodities, como soja, milho, trigo, bovinos, suínos e aves. A expectativa de Borges para este ano é que a inflação dos alimentos e das bebidas no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano com alta de 3,8%, ante o índice geral de inflação (IPCA)para o período de 3,5%.